Presidente do Parlamento Europeu condena “glorificação pública” de Mladic

A presidente do Parlamento Europeu condenou hoje a “glorificação pública” do antigo comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic, considerando que mina a reconciliação nos Balcãs Ocidentais e é “uma afronta” para quem foi vítima dos seus crimes.

Executive Digest com Lusa

A presidente do Parlamento Europeu condenou hoje a “glorificação pública” do antigo comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic, considerando que mina a reconciliação nos Balcãs Ocidentais e é “uma afronta” para quem foi vítima dos seus crimes.

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Numa mensagem divulgada nas redes sociais, Roberta Metsola referiu que o Parlamento Europeu (PE) “honra todos os anos a memória das vítimas do genocídio de Srebrenica, onde milhares de pessoas foram assassinadas, desapareceram ou foram forçadas ao exílio”.

“A glorificação pública de criminosos de guerra condenados, como a que aconteceu no funeral de Ratko Mladic, põe em causa a reconciliação. É uma afronta às vítimas e aos seus entes queridos. Estamos solidários com eles. Nunca esqueceremos”, afirmou.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, também considerou, numa mensagem nas redes sociais, que “a glorificação” de Ratko Mladic é uma “afronta às vítimas, às famílias e a todos os que sofreram com os conflitos nos Balcãs Ocidentais”.

Kallas defendeu que a “verdadeira reconciliação não pode ser construída com base no revisionismo, na negação do genocídio ou na homenagem aos seus protagonistas”.

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“O caminho da Sérvia para aderir à UE exige um compromisso inequívoco com os valores europeus fundamentais e com a verdade histórica. Não há lugar na Europa para a glorificação de criminosos de guerra”, avisa.

Esta manhã, António Costa e Ursula von der Leyen, num comunicado conjunto, já tinham condenado a presença de altos responsáveis sérvios no funeral de Mladic, considerando que era “chocante”.

“Os sinais de apoio oficial e a presença de alguns altos responsáveis sérvios no funeral são profundamente lamentáveis”, criticavam os dois responsáveis, considerando que estes acontecimentos demonstram “uma incapacidade de enfrentar um capítulo sombrio da história recente da Europa”.

Milhares de pessoas reuniram-se na segunda-feira em Belgrado para o funeral de Ratko Mladic, que morreu no final de agosto aos 84 anos em Haia, nos Países Baixos, onde cumpria pena de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o sangrento conflito, nos anos 1990.

Mladic foi condenado em 2017 a prisão perpétua por ter orquestrado o massacre de mais de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, pelo cerco de anos à capital bósnia, Sarajevo, durante o conflito de 1992-1995 e por outros crimes de guerra, incluindo a criação de campos de concentração para civis não sérvios detidos e soldados inimigos.

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O massacre em Srebrenica foi o primeiro genocídio reconhecido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

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