Suécia paga até 33 mil euros a imigrantes para deixarem o país: apenas 171 aceitaram

Programa surge também no centro da campanha para as eleições legislativas de 13 de setembro, nas quais a coligação de direita que governa desde 2022 procura renovar o mandato

Francisco Laranjeira

A Suécia tornou-se, há pouco mais de uma década, um dos grandes símbolos europeus da política de acolhimento de refugiados. Em 2015 recebeu 163 mil requerentes de asilo, o segundo valor mais elevado da Europa em proporção à população. Dez anos depois, o número tinha caído 96%. E a mudança de rumo não ficou por aí.

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Desde o início deste ano, o Governo sueco está a oferecer até 350 mil coroas suecas — cerca de 33 mil euros — a determinados residentes oriundos de países fora da União Europeia que aceitem deixar a Suécia, numa das medidas mais emblemáticas do endurecimento da política migratória do país.

Segundo avança a ‘Reuters’, o programa surge também no centro da campanha para as eleições legislativas de 13 de setembro, nas quais a coligação de direita que governa desde 2022 procura renovar o mandato.

“Melhorar a remigração é uma prioridade na agenda do meu Governo”, afirmou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson. O Executivo reservou 1,3 mil milhões de coroas suecas para o programa.

“Tem saudades de Mogadíscio?”

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A medida conta com forte apoio dos Democratas Suecos, partido de extrema-direita que não integra formalmente o Governo, mas lhe tem dado apoio parlamentar e pretende participar numa futura coligação de quatro partidos depois das eleições.

O partido levou a campanha diretamente para as ruas. “Tem saudades de Mogadíscio? O subsídio de remigração vai ajudá-lo a regressar a casa”, pode ler-se num anúncio dirigido à comunidade somali colocado em transportes públicos.

O Governo, por seu lado, disponibilizou informação sobre o programa em várias línguas nos seus canais oficiais.

A política sueca está a ser acompanhada noutros países europeus, numa altura em que vários governos endurecem as regras de imigração e procuram aumentar os regressos de cidadãos estrangeiros.

Uma eurodeputada da Alternativa para a Alemanha (AfD), Mary Khan-Hohloch, disse à Reuters esperar que o interesse por programas de regresso e “remigração” continue a aumentar perante aquilo que considera serem os custos financeiros e sociais das políticas migratórias das últimas décadas.

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33 mil euros, mas apenas 171 aceitaram

Apesar da dimensão do incentivo, a adesão continua reduzida.

Desde o início do ano, apenas 171 pessoas aceitaram receber dinheiro para abandonar a Suécia, segundo os números citados pela Reuters.

Bram Frouws, diretor do Mixed Migration Centre, considera que não existem provas de que programas deste género produzam um aumento significativo da emigração voluntária.

Na sua avaliação, estas políticas têm sobretudo uma dimensão simbólica e servem para transmitir ao eleitorado uma posição mais dura em matéria de imigração.

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Os Democratas Suecos querem, contudo, ir mais longe. O partido defende que o incentivo passe também a estar disponível para imigrantes que já adquiriram cidadania sueca, desde que aceitem abdicar dessa nacionalidade.

Uma das maiores mudanças da Europa

A transformação da política sueca é particularmente significativa devido ao ponto de partida.

Em 2015, no auge da crise migratória europeia, a Suécia recebeu 163 mil requerentes de asilo. Em 2025, o número tinha diminuído 96%.

O país também deixou de atribuir autorizações de residência permanente em vários casos, obrigando imigrantes a renovar o estatuto após três anos.

Em agosto, foram realizados pela primeira vez testes obrigatórios de cidadania. Cerca de 900 candidatos fizeram provas sobre a Suécia, incluindo questões relacionadas com a linha de sucessão da monarquia e as tradições das celebrações do solstício de verão.

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O ministro das Migrações, Johan Forssell, defende que a cidadania deve implicar direitos, mas também requisitos.

“Estas são exigências perfeitamente razoáveis”, afirmou à ‘Reuters’. “O que não é razoável é que, até agora, fosse possível tornar-se cidadão sem saber nada sobre a Suécia e sem falar uma única palavra de sueco.”

Eleições praticamente empatadas

A imigração tornou-se assim um dos temas centrais das eleições de 13 de setembro.

As sondagens mais recentes citadas pela Reuters mostram uma disputa praticamente empatada entre o bloco que sustenta o atual Governo e a oposição liderada pelos sociais-democratas e restantes forças de centro-esquerda.

Dos cerca de 10,6 milhões de habitantes da Suécia, aproximadamente dois milhões nasceram no estrangeiro.

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Mas nem todos estão interessados no dinheiro oferecido pelo Governo. A Reuters falou com vários imigrantes num centro comunitário de Sätra, nos arredores de Estocolmo. Todos conheciam o programa. Nenhum queria aderir.

“Quero liberdade, poder trabalhar e ter uma boa vida”, explicou Elena Ibrahim, uma mulher sudanesa de 42 anos que fugiu para a Suécia há oito anos.

“Não vou voltar.”

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