A inteligência artificial e a automação estão a ganhar um peso crescente nas estratégias das empresas portuguesas, mas, para Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal, a transformação não dependerá apenas da tecnologia. O futuro, defende, pertencerá às organizações que melhor conseguirem combinar inovação tecnológica com talento humano de forma inteligente e estruturada.
A análise surge no âmbito da XLIX edição do Barómetro da Executive Digest, que mostra a digitalização e a implementação de inteligência artificial como a segunda maior prioridade estratégica das empresas, referida por 33% dos inquiridos e apenas atrás da expansão de mercado, com 36%.
Para Carla Marques, esta evolução confirma que a inteligência artificial e a automação deixaram de funcionar apenas como instrumentos de eficiência e passaram a assumir-se como motores de competitividade económica.
Tecnologia ganha peso, mas não substitui pessoas
A responsável da Intelcia Portugal considera que a tecnologia, por si só, não é suficiente para garantir a transformação das empresas.
Na sua perspetiva, a capacidade de combinar ferramentas tecnológicas com o talento humano será determinante para o desempenho das organizações nos próximos anos. A questão deixa, assim, de estar apenas na adoção de inteligência artificial e automação e passa também pela forma como estas soluções são integradas nas estruturas e nas equipas.
É neste equilíbrio entre tecnologia e pessoas que Carla Marques identifica uma das principais condições para reforçar a competitividade das empresas portuguesas.
Empresas mantêm confiança no crescimento
Apesar de um contexto ainda marcado pela incerteza geopolítica e pelos respetivos impactos económicos, os resultados do Barómetro mostram também que o tecido empresarial mantém expectativas positivas.
Mais de metade das empresas espera que o negócio cresça entre 5% e 20% até ao final do ano, um resultado que Carla Marques interpreta como um sinal de confiança moderada, mas real.
A expansão de mercado continua, aliás, no topo das prioridades estratégicas, referida por 36% das empresas, imediatamente acima da digitalização e da implementação de IA.
Fiscalidade e burocracia continuam a travar competitividade
A confiança empresarial convive, no entanto, com problemas estruturais que continuam a ser identificados pelas organizações.
Segundo o Barómetro da Executive Digest, 41% das empresas apontam a fiscalidade como um dos principais travões à competitividade, enquanto 36% referem a burocracia.
Numa altura em que se prepara o Orçamento do Estado para 2027, cerca de 69% das organizações colocam a simplificação administrativa e a redução da burocracia como a medida mais urgente. Logo depois surge a redução da carga fiscal para cidadãos e empresas.
Carla Marques sublinha que estes pedidos se repetem ano após ano e considera necessária uma resposta estrutural e urgente.
Da intenção à execução
Para a CEO da Intelcia Portugal, os dados mostram empresas que continuam a querer crescer, modernizar-se e reforçar a competitividade, mas que enfrentam simultaneamente obstáculos persistentes no enquadramento económico.
A tecnologia deverá assumir um papel cada vez mais relevante nesse processo, mas o sucesso dependerá da capacidade das organizações para a articular com o talento humano.
Na leitura de Carla Marques, a mensagem do mercado é clara: é necessário passar da intenção à execução e transformar a confiança existente numa verdadeira alavanca para o futuro.
Este testemunho de Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.















