As empresas portuguesas estão a substituir o entusiasmo por maior pragmatismo, num contexto em que crescer continua a fazer parte da agenda, mas as decisões são cada vez mais seletivas e acompanhadas por uma atenção reforçada à inteligência artificial, à eficiência e ao controlo de custos.
A leitura é de Ricardo Martins, diretor-geral da CEGOC, a propósito dos resultados da XLIX edição do Barómetro da Executive Digest. Para o responsável, a economia portuguesa continua a demonstrar capacidade de resistência, mas as empresas estão a ajustar a forma como encaram o crescimento e o investimento.
Portugal continua a crescer acima da média da área do euro, com emprego robusto e contas públicas relativamente sólidas, embora inserido num contexto internacional em que a energia, os conflitos e a fragmentação do comércio voltaram a assumir-se como variáveis de gestão.
Empresas trocam entusiasmo por pragmatismo
Ricardo Martins destaca o recuo das expectativas de crescimento comparativamente com junho e o facto de quase metade das empresas optar agora por manter os níveis de investimento.
Na sua análise, estes sinais não representam uma inversão da confiança empresarial, mas antes uma maior seletividade nas decisões.
O crescimento permanece entre os objetivos das empresas, embora acompanhado por uma atenção crescente à inteligência artificial, à eficiência das operações e ao controlo de custos.
Fiscalidade e burocracia revelam um problema estrutural
Para o diretor-geral da CEGOC, o ponto mais crítico do Barómetro está, contudo, nos obstáculos identificados pelas empresas à competitividade.
A fiscalidade e a burocracia surgem entre os principais travões, enquanto a simplificação administrativa ocupa o primeiro lugar entre as prioridades apontadas para o Orçamento do Estado para 2027.
Ricardo Martins considera que estes resultados representam um sinal de natureza estrutural, indo além das decisões conjunturais tomadas pelas empresas.
Produtividade e crescimento das empresas continuam no centro do desafio
Na sua análise, Ricardo Martins refere que a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional convergem num diagnóstico sobre Portugal: o país precisa de aumentar a produtividade, facilitar o crescimento das empresas e reduzir os entraves administrativos.
A capacidade de competir num ambiente internacional mais instável dependerá, por isso, de condições que permitam às organizações decidir e executar com maior eficácia.
Talento e capacidade de execução ganham importância
Para Ricardo Martins, a competitividade não pode ser protegida apenas através de apoios.
Num mundo marcado por maior instabilidade, o responsável defende que velocidade de decisão, escala, talento e capacidade de execução são fatores determinantes para reforçar a posição das empresas e responder aos desafios que enfrentam.
A leitura do Barómetro aponta, assim, para um tecido empresarial que mantém capacidade de resistência e ambição de crescimento, mas que se tornou mais pragmático na forma como decide onde investir, como aumentar a eficiência e como proteger a competitividade.
Este testemunho de Ricardo Martins, diretor-geral da CEGOC, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.














