A análise de Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal
O crescente optimismo que todos tínhamos com o aproximar do fim da pandemia e o que daí resultaria em termos de retoma, foi rapidamente diluído com o recente conflito internacional. Se por um lado a nossa capacidade de adaptação e resiliência foi colocada à prova e nos deu outras competências, que para muitos estavam adormecidas, por outro, trouxe-nos uma visão mais instável e muito cautelosa do futuro. Exemplo disso é a incerteza que é sentida nas previsões económicas e procura dos bens e serviços, com o principal desafio das empresas em Portugal (45%), assim como a timidez no grau de confiança na evolução da economia, nos próximos meses. Denotamos uma grande preocupação pelo aumento dos custos operacionais que variam entre 10% e 30%, pois poderão ter como consequência perda de poder de compra do consumidor a médio prazo. Os desafios estão cá, sempre estiveram, por isso a necessidade de adaptação e planeamento estratégico assumem um ponto de destaque neste barómetro, onde 34% e 38%, respectivamente, indicam isso mesmo. Inovação dos processos, das formas de pensar e gerir, de atrair e reter talento, com aumento de produtividade, serão, a meu ver, os principais catalisadores da nossa economia, potenciando e capacitando o nosso tecido empresarial da elasticidade e agilidade tão necessária. Embora os resultados nos mostrem um cenário de prudência com algum optimismo, continuo a acreditar no optimismo com alguma prudência para o resto do ano.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 195) da Executive Digest, no âmbito da XXIV edição do seu Barómetro.














