A subida da taxa de juro do Banco Central Europeu (BCE) tem impacto no custo do crédito e na remuneração das poupanças.
Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, a subida da taxa de juro reflete-se no custo do financiamento quando chega o momento de revisão da taxa Euribor. Por outro lado, quem tem dinheiro disponível para poupar, taxas mais elevadas traduzem-se também em melhores condições de remuneração em alguns produtos.
Este é, por isso, um bom momento para rever algumas decisões financeiras e perceber se continuam ajustadas à situação atual.
Antecipar a próxima revisão da prestação da casa
Se tem crédito à habitação com taxa variável, confirme qual é a Euribor associada ao contrato e em que data acontece a próxima revisão. A prestação da casa não muda no dia em que o BCE altera a taxa de juro. A atualização acontece na data de revisão prevista no contrato, de acordo com a Euribor aplicável.
Se possui taxa mista, confirme também quando termina o período de taxa fixa e quais são as condições previstas a partir desse momento. Conhecer estas datas permite preparar o orçamento para o novo encargo e tomar decisões com tempo. Procure que os encargos com prestações não ultrapassem os 35% do orçamento mensal.
Rever as condições do crédito à habitação
Não espere pelo aumento da prestação para perceber se o seu crédito continua competitivo. Compare o contrato atual com outras propostas e olhe para além do spread. A Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) inclui os juros, os seguros, as comissões e outros encargos associados. É ela que deve ser usada para medir o custo do empréstimo e comparar propostas.
Comece por negociar com o banco onde tem o empréstimo. Se não conseguir melhores condições, compare propostas de outros bancos e avalie uma eventual transferência do crédito.
Fazer contas antes de amortizar
Se tem poupanças acima da reserva necessária para responder a imprevistos, faça contas a uma eventual amortização do crédito. Ao reduzir o capital em dívida, reduz também os juros que terá de pagar no futuro.
Antes de avançar, compare o benefício da amortização com a remuneração que consegue obter mantendo esse dinheiro aplicado e considere os custos associados ao reembolso antecipado.
Dar prioridade às dívidas mais caras
Cartões de crédito, créditos pessoais e outros financiamentos têm, regra geral, taxas superiores às do crédito à habitação. Se dispõe de margem financeira para reduzir dívida, procure liquidar primeiro, total ou parcialmente, os créditos com custos mais elevados.
Ao contratar um novo financiamento, compare sempre a TAEG e o montante total atribuído. Uma prestação mais baixa não significa, por si só, um crédito mais barato.
Rever onde tem as poupanças
A subida das taxas também é um bom momento para analisar a remuneração do dinheiro que tem disponível. Depois de garantir um fundo de emergência para despesas inesperadas, avalie quanto precisa de manter imediatamente acessível e quanto pode colocar a render.
Compare depósitos a prazo e outros produtos adequados ao seu perfil e aos seus objetivos. Analise a remuneração líquida, o prazo, as condições de mobilização e o risco. Manter todo o dinheiro numa conta à ordem significa, em regra, abdicar de remuneração. O site da DECO PROteste tem informação e simuladores que ajudam a tomar decisões esclarecidas.
Não alterar os investimentos por impulso
As taxas de juro influenciam os mercados financeiros, mas uma decisão do BCE não deve, por si só, ditar mudanças numa estratégia de investimento pensada para o médio ou longo prazo. Se já investe, confirme se a carteira continua alinhada com os seus objetivos, horizonte temporal e tolerância ao risco. Evite mudar de estratégia apenas porque as taxas subiram ou porque um determinado produto passou a oferecer uma remuneração mais elevada. O tempo pode jogar a favor dos investidores.
Voltar a fazer contas ao orçamento
Num cenário de juros mais elevados, reveja a capacidade do orçamento para lidar uma prestação superior. Simule o impacto da próxima revisão, identifique despesas onde existe margem para reduzir custos e reforce a reserva financeira. Antecipar o aumento dos encargos dá-lhe mais margem para ajustar o orçamento e tomar decisões com tempo.
Rever tanto o que paga como o que recebe
A subida da taxa de juro do BCE deve ser analisada dos dois lados: o custo do dinheiro que pediu emprestado e a remuneração do dinheiro que conseguiu poupar.
Rever créditos, reduzir primeiro as dívidas mais caras, fazer contas a uma eventual amortização e confirmar se as poupanças estão bem remuneradas são decisões que ajudam a proteger o orçamento familiar.
Antecipar é a melhor forma de proteger o orçamento. Rever o tipo de taxa do crédito, perceber quando será atualizada a prestação, comparar condições, reduzir primeiro as dívidas mais caras e garantir que as poupanças estão de acordo com as remunerações são passos essenciais para tomar decisões mais informadas. Para além de reagir à subida dos juros, o importante é perceber como esta subida afeta a sua situação em concreto e ajustar com antecipação as escolhas financeiras.














