XLIX BARÓMETRO: Querer menos burocracia sem apostar no digital e no talento é “querer o resultado sem investir na causa”

A análise de José Esteves, DEAN do Porto Business School

Executive Digest

As empresas portuguesas mostram confiança e vontade de crescer, mas, para José Esteves, Dean do Porto Business School, há uma contradição relevante nas prioridades identificadas na XLIX edição do Barómetro da Executive Digest: a desburocratização surge no topo das reformas desejadas, enquanto digitalização e talento permanecem muito abaixo na lista.

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Segundo a sua análise, 56% apontam a desburocratização como reforma prioritária, mas apenas 13% destacam a digitalização e 8% o talento. Para José Esteves, estas três dimensões não podem ser tratadas separadamente, porque a simplificação de processos depende da tecnologia e a tecnologia depende de pessoas preparadas para a utilizar.

Não há desburocratização sem digitalização

Na perspetiva do Dean do Porto Business School, a burocracia não desaparece apenas por decisão política ou administrativa. A simplificação acontece quando os processos passam a funcionar através de plataformas simples e integradas.

É por isso que José Esteves considera incoerente colocar a desburocratização entre as grandes prioridades e, ao mesmo tempo, atribuir pouca importância à digitalização.

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Na sua leitura, pedir menos burocracia sem apostar no digital equivale a procurar o resultado sem investir numa das condições necessárias para o alcançar.

Tecnologia sem talento também não chega

O mesmo raciocínio aplica-se ao talento.

José Esteves sublinha que a tecnologia só produz resultados quando existem pessoas preparadas para a utilizar. Por esse motivo, deixar o talento no fim da lista de prioridades representa, na sua perspetiva, outra fragilidade na forma como as empresas encaram a transformação.

Digitalização e talento formam, assim, parte da mesma equação: uma permite simplificar e modernizar processos, enquanto o outro garante capacidade para transformar tecnologia em resultados concretos.

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Competitividade exige capacidade de execução

Para quem gere empresas, a implicação é direta. José Esteves considera que a competitividade não se conquista apenas através da eliminação de obstáculos.

É também necessário construir capacidade para executar, decidir e crescer.

Num contexto em que a tecnologia se tornou abundante e acessível, aquilo que distingue as empresas mais avançadas já não é simplesmente o acesso às ferramentas. A diferença está, segundo o responsável, no critério com que essas ferramentas são utilizadas para tomar melhores decisões, aumentar a produtividade e gerar mais valor.

Digital e talento devem passar para a base da estratégia

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José Esteves considera que Portugal já dispõe de ambição, meios e conhecimento.

O passo em falta, na sua análise, é deixar de tratar digitalização e talento como prioridades secundárias e colocá-los na base da modernização.

Só assim será possível simplificar o Estado, modernizar as empresas e tornar a economia portuguesa mais competitiva.

Este testemunho de José Esteves, Dean do Porto Business School, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.

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