Por Isabel Diogo, Senior Consultant & Business Development da LHH|DBM Portugal
É certo que o trabalho ocupa um lugar central na vida adulta. E que não é apenas uma fonte de rendimento, mas também uma fonte de identidade, autoestima, rotina e propósito. E que, consequentemente, quando desaparece, o impacto faz-se sentir muito para além do contexto profissional…
Muitas pessoas descrevem sentimentos de perda de confiança, redução da autoestima e medo de não voltar a encontrar um emprego à altura das suas competências, questionando o seu valor profissional e até pessoal. Estes sentimentos são difíceis de gerir e podem ser muito impactantes.
As emoções entram em casa, à mesa de jantar e nas conversas familiares, influenciando as relações conjugais, a parentalidade, o bem-estar emocional e a dinâmica familiar.
Paradoxalmente, é muitas vezes nestes momentos de maior vulnerabilidade que as famílias transformam a adversidade numa oportunidade para reforçar os seus vínculos afetivos. O apoio emocional recebido em casa funciona como um amortecedor perante a ansiedade e o stress gerados pela perda de emprego. Quando a família encara a situação como um desafio temporário e não como um fracasso pessoal, o processo tende a ser mais saudável.
Também em muitos casos, a disponibilidade permite um maior envolvimento na vida familiar, há mais tempo para acompanhar os filhos e estar presente em momentos que antes eram sacrificados devido às exigências profissionais. Algumas famílias referem mesmo que este período contribuiu para fortalecer laços e melhorar a comunicação entre os seus membros.
Não sendo uma experiência positiva, o contexto adverso causado pelo desemprego pode revelar recursos que permaneciam ocultos em períodos de estabilidade. Muitas famílias descobrem uma capacidade de adaptação superior à que imaginavam ter e desenvolvem novas formas de apoio mútuo.
Um estudo realizado pela LHH|DBM Portugal em 2021, com a colaboração da Intercampus no trabalho de campo, a uma amostra de 171 profissionais em transição de carreira, indica que a maioria dos participantes não sentiu um impacto negativo significativo nas relações familiares, tendo uma parte considerável referido até um fortalecimento dos laços com os mais próximos. O mesmo estudo destaca ainda a importância decisiva do apoio do cônjuge, da família e dos consultores especializados em Outplacement da LHH|DBM.
Podemos concluir assim que, quando alguém perde o emprego, não é apenas uma carreira que entra em transição. É toda uma família que aprende a viver, temporariamente, com novas incertezas e novos desafios.
E é muitas vezes na família que se encontra a principal força para recomeçar!





