Prepare a carteira: Preços dos alimentos vão aumentar nos próximos meses

“A manter-se o cenário atual, os preços deverão subir entre 5% e 10%, à semelhança do que já se passa nos Estados Unidos”, prevê Romão Braz, presidente da Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA).

Revista de Imprensa

O preço das matérias-primas está a subir, com o milho e a soja a bater em máximos históricos. O ‘Jornal de Negócios’ entrevistou algumas empresas e organizações do setor alimentar, para perceber como será o desenvolvimento do preço de alguns produtos nos próximos meses.

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“A verdade é que, no último ano, temos estado a trabalhar num cenário de grande instabilidade, provocado pelos impactos diretos da pandemia”, explica o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Jorge Tomás Henriques, entrevistado pelo jornal.

Nos últimos meses surgiram “fatores imponderáveis” relacionados com as matérias-primas, como os “fenómenos naturais” que afetaram culturas como a do milho na América do Sul, e ainda a “greve prolongada” dos trabalhadores da soja na Argentina. “E se o milho aumenta, o trigo e a soja também, porque há um efeito de substituição”, explica José Romão Braz, presidente da Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA), contactado pelo ‘Negócios’.

“É uma tempestade perfeita”, resume João Amorim Faria, administrador da Cerealis, empresa detentora de marcas como a Milaneza e a Nacional, entrevistado pelo diário económico do grupo Cofina. “O trigo mole, que é a matéria-prima base das farinhas, subiu 15% desde 31 dezembro de 2020, e face ao final de 2019, a subida é superior a 30%. A escalada do preço do milho é ainda mais expressiva: nos mesmos períodos, subiu 32% e 56%, respetivamente”, refere o executivo.

“É uma coisa inimaginável”, confessa José Romão Braz, que revela ainda que estão previstos aumentos de 45% no preço do milho e de 30% no trigo e na soja, face a 2020, na próxima colheita no hemisfério norte, que decorrerá em novembro.

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Face a estes cenários, a Confederação de Agricultores de Portugal admite que o aumento dos preços poderá ser “generalizado”. “Frutos e legumes deverão ficar mais caros nos próximos meses, tal como a carne, o leite e os ovos, que estão a sofrer com a subida dos custos das rações para animais, produzidas à base de trigo, milho, soja e outras oleaginosas, nas quais Portugal não é autossuficiente”, indica o ‘Negócios’.

“A manter-se o cenário atual, os preços deverão subir entre 5% e 10%, à semelhança do que já se passa nos Estados Unidos”, prevê Romão Braz.

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