Portugal mantém uma base positiva de confiança, mas transformar essa confiança em crescimento sustentável exige maior preparação para os riscos da próxima década. Para Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal, o desafio passa por reforçar a resiliência, a capacidade de adaptação e a consistência das decisões que sustentam o crescimento económico e social.
Na sua análise à XLIX edição do Barómetro da Executive Digest, a responsável destaca que 72% dos gestores manifestam um otimismo cauteloso, enquanto 91% consideram que Portugal ainda não está plenamente preparado para os desafios da próxima década.
Para Helene Westerlind, esta diferença mostra que a confiança existente é positiva, mas insuficiente se não for acompanhada por uma preparação efetiva para os riscos que podem condicionar o futuro.
Riscos estão cada vez mais interligados
A CEO da Zurich Portugal sublinha que Portugal dispõe de talento, capacidade empresarial e ambição para competir, mas considera que esse potencial só poderá ser plenamente concretizado através de uma leitura mais estratégica dos riscos.
Na sua perspetiva, os riscos económicos, geopolíticos, sociais, ambientais e tecnológicos estão cada vez mais interligados e reforçam-se mutuamente.
É por isso que defende uma abordagem mais preventiva, integrada e orientada para o longo prazo, capaz de aumentar a resiliência perante um contexto de maior incerteza.
Helene Westerlind enquadra esta leitura também na experiência da Zurich enquanto parceiro estratégico do Fórum Económico Mundial e nos temas refletidos no Global Risks Report.
Preparar o futuro é antecipar a incerteza
Para a responsável, preparar o futuro não significa apenas reagir a acontecimentos inesperados.
Passa também por antecipar riscos, proteger pessoas, empresas e comunidades e criar condições para que a confiança se transforme em crescimento sustentável e duradouro.
Esta abordagem ganha particular importância nos setores que acompanham mais de perto a evolução económica e social do país, onde a capacidade de identificar e gerir riscos pode assumir um papel determinante nas decisões de longo prazo.
Competitividade dependerá mais da antecipação
Na leitura de Helene Westerlind, a competitividade futura dependerá menos da capacidade de reagir aos ciclos económicos e mais da capacidade de os antecipar.
Investir em resiliência, inovação e visão de longo prazo deixa, assim, de ser apenas uma opção estratégica e passa a assumir-se como uma condição para o crescimento.
A confiança identificada pelo Barómetro constitui um sinal positivo, mas o verdadeiro desafio está, segundo a CEO da Zurich Portugal, em consolidá-la através de maior preparação e de uma cultura de gestão capaz de transformar incerteza em oportunidade.
Este testemunho de Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.














