Portugal vai enfrentar dias de muito calor, com temperaturas máximas entre oito e dez graus acima da média para esta altura do ano, alerta a meteorologista Maria João Frada, em declarações à ‘CNN Portugal’. O episódio poderá prolongar-se por duas semanas no interior do país, acompanhado de tempo quente, seco e alguma instabilidade atmosférica.
Além das temperaturas elevadas, a meteorologista chama a atenção para a possibilidade de trovoadas secas e de rajadas de vento convectivas nos próximos dias. Estes fenómenos podem ser particularmente perigosos em caso de incêndio rural, porque o vento súbito e intenso pode alterar rapidamente a direção das chamas e dificultar o combate.
“Se o ar for chutado para cima, podem-se formar nuvens de desenvolvimento vertical sobre as zonas montanhosas. Se se formarem, podem trazer severidade. Nomeadamente o granizo, rajadas fortes convectivas, até com poder destrutivo”, explicou Maria João Frada.
A especialista sublinha que este cenário preocupa também pelo impacto que pode ter nos incêndios. “Se se formarem essas nuvens e houver um incêndio, pode haver uma rajada convectiva que faça descontrolar o incêndio que esteja a deflagrar”, alertou.
Os próximos dias deverão, por isso, combinar calor intenso com instabilidade localizada. A partir desta quinta-feira, as temperaturas devem começar a descer ligeiramente e a probabilidade de aguaceiros e trovoadas deverá diminuir de forma significativa.
“A partir do dia 28 começa, no litoral oeste, a entrar um vento do mar mais fresco, que vai trazer um pouco mais de alívio”, adiantou a meteorologista.
Ainda assim, o alívio deverá ser parcial. Maria João Frada explica que, a partir de sexta-feira, a descida das temperaturas deverá chegar também a parte do interior, mas as máximas continuarão acima do normal para a época.
“Neste momento, estamos com temperaturas máximas acima da média em oito a dez graus. É muito. Daí termos emitido os avisos de tempo quente. Mas, a partir do 29, essa pequena descida, que vai também estender-se um bocadinho ao interior, vai fazer com que as temperaturas máximas, embora contribuam para a onda de calor, se calhar estejam só cinco a sete graus acima da média para a época”, afirmou.
A meteorologista evita fazer previsões para além das próximas duas semanas, mas admite que o episódio de calor possa ser prolongado, sobretudo nas regiões do interior. A conjugação de temperaturas elevadas, ar seco, trovoadas secas e rajadas fortes torna o risco de incêndio uma das principais preocupações dos próximos dias.














