Uma menina de oito anos, com paralisia cerebral, continua inscrita numa escola no concelho da Maia apesar de a família viver atualmente em Almada. Além da distância de cerca de 300 quilómetros, a mãe denuncia outro problema: a criança frequentou o 1.º ano no último ano letivo, mas foi agora colocada no 3.º ano.
De acordo com o Correio da Manhã, Ana Caldeira mudou de residência há cerca de um ano e conseguiu transferir a filha de médico de família e de fisioterapia, mas não teve o mesmo sucesso com a escola.
“A minha filha tem uma incapacidade de 95%, não anda e não fala. É absurdo mantê-la numa escola a 300 quilómetros de distância”, afirmou a mãe ao jornal.
Ana Caldeira deslocou-se esta terça-feira à Escola Básica D. Manuel II, na Maia, numa tentativa de resolver o problema, mas saiu sem uma solução. “Continua tudo na mesma”, lamentou, salientando que a filha “é uma menina especial e precisa do contacto com as outras crianças”.
Família tentou cinco escolas perto da nova residência
A mãe tentou fazer a transferência através do Portal das Matrículas e indicou cinco estabelecimentos de ensino como opções. A primeira escolha foi a Escola Básica do Miradouro de Alfazina, a mais próxima da residência da família.
Segundo o Correio da Manhã, todas as escolas responderam sem colocação e a transferência acabou por não ser concretizada.
A situação tornou-se ainda mais difícil de compreender para a família quando a escola da Maia colocou a criança no 3.º ano, apesar de esta ter frequentado o 1.º ano no ano letivo anterior.
“A minha filha é uma menina especial e precisa do contacto com as outras crianças”, reforçou Ana Caldeira.
Centenas de famílias com problemas nas matrículas
O caso ocorre num momento em que centenas de famílias continuam sem conseguir matricular ou transferir os filhos de escola.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, garantiu que o Ministério irá encontrar soluções para os alunos ainda sem colocação, adiantando que o problema está concentrado sobretudo na Grande Lisboa e na Península de Setúbal.
Segundo o governante, a maioria das situações está relacionada com matrículas tardias, apresentadas nas últimas duas semanas, incluindo casos provocados pela deslocação das famílias ou pela mudança de alunos do ensino privado para o ensino público.
A recém-criada Agência para a Gestão do Sistema Educativo passou entretanto a integrar os serviços responsáveis por esta área que pertenciam à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
Até ao fecho da edição do Correio da Manhã, o Ministério da Educação não tinha respondido sobre o caso da menina de oito anos.














