Um inquérito feito pelo grupo ativista MeTooEP, de forma anónima, apurou que mais de 550 funcionários do Parlamento Europeu (praticamente metade do total de inquiridos) foram vítimas de assédio psicológico no trabalho.
No âmbito da pesquisa, foram inquiridas 1135 pessoas entre junho e agosto de 2023. Oito eurodeputados responderam ás questões, sendo que seis afirmaram ter sofrido assédio.
Cerca de metade dos inquiridos (49,6%) afirmou ter sofrido assédio psicológico em âmbito labora. Já 15,5% disse ter sido vítima de assédio sexual e 8,1% de assédio físico.
“Sã números muito elevados. A quantidade de pessoas que testemunharam ou sofreram assédio é muito alta”, lamentou ao Politico Vlada Polisadova, assistente parlamentar e voluntária do MeTooEP, associação de combate ao assédio sexual que procura agir e melhorar as condições de trabalho no Parlamento Europeu.
Segundo o inquérito, mais de 42% dos funcionários do Parlamento Europeu inquiridos relataram já ter testemunhado ou sofrido assédio.
Os principais motivos apresentados pelas vítimas para justificar não terem apresentado queixa foram o facto do “assediador ser mais poderoso”, “falta de confiança”, “medo de repercussões” ou devido a “processo de denúncia pouco claro”.
Os que se queixaram no Parlamento Europeu, denunciam no inquérito que muitas vezes não era tomada qualquer ação e as denúncias não eram levadas a sério, conduzindo até a punições pelos superiores hierárquicos.
Entre os inquiridos, ninguém relatou que tivesse ocorrido uma conversa “com o assediador para que mudasse de comportamento”.
Há ainda várias vítimas que explicam que, após se terem queixado, foram transferidas para outro emprego, cumprindo funções diferentes ou noutro gabinete, enquanto houve outras que foram mesmo ‘convidadas’ e encorajadas a abandonar completamente o Parlamento Europeu.
“É importante envolver-nos ainda mais ativamente com os homens enquanto se tenta desenvolver uma cultura de respeito e segurança no local de trabalho, e livre de medo”, sublinha ao mesmo jornal a Provedora de Justiça da União Europeia, Emily O’Reilly.














