Celfocus : Decidir melhor com cloud e analytics

Na Celfocus, os dados assumem um papel central na resposta aos actuais desafios de negócio, suportados por plataformas cloud que reforçam a competitividade das organizações

Executive Digest

Na Celfocus, os dados assumem um papel central na resposta aos actuais desafios de negócio, suportados por plataformas cloud que reforçam a competitividade das organizações.

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A consolidação de plataformas de cloud computing, aliada a soluções de analytics e inteligência artificial, está a redefinir a forma como as organizações estruturam a informação, escalam capacidades analíticas e integram tecnologia nos seus modelos de operação. Num contexto empresarial marcado pela volatilidade dos mercados, pela pressão competitiva E por exigências regulatórias crescentes, esta evolução assumiu uma dimensão claramente estratégica.

Tiago Simões, director of Data & Analytics Solutions da Celfocus, analisa este percurso, os principais desafios associados à adopção destas soluções e as tendências que irão marcar os próximos anos, partilhando a sua visão sobre o papel da cloud na criação de valor, na eficiência operacional e no suporte às decisões ao mais alto nível da gestão.

De que forma a adopção de soluções de Cloud & Analytics tem vindo a transformar o modelo de negócio das organizações em Portugal?

A adopção de soluções de Data & Analytics é uma peça chave na estratégia de transformação digital que as organizações em Portugal têm seguido.

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A democratização do acesso a este tipo de soluções na cloud permite que tanto uma PME como um grupo empresarial introduzam componentes analíticos em contexto operacional, tornando o negócio cada vez mais data driven – colocando os dados no centro do processo de decisão – e possibilitando também a introdução de modelos avançados de inteligência artificial, abrindo a possibilidade de inovação do serviço, melhoria da eficiência operacional e criação de novas fontes de receita.

Quais são hoje os principais drivers que levam as empresas a investir em cloud e analytics de forma integrada?

Este investimento e visão de ecossistema de Data & Analytics na Cloud deve ser visto como uma alavanca para a competitividade das empresas.

Uma plataforma de dados na cloud ou híbrida garante escalabilidade, capacidade de processamento, gestão eficiente de custos e controlos de segurança essenciais para que todas as equipas e departamentos tenham acesso rápido a dados consolidados. Isto acelera o time-to-market de novos casos de uso, melhora a tomada de decisão e permite, de forma ágil, analisar dados ou activar AI agents para execução autónoma de tarefas com impacto real e mensurável no negócio.

Como é que a cloud está a potenciar uma utilização mais eficaz e em tempo real dos dados nas empresas?

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A utilização de plataformas cloud facilita o processamento de fluxos de dados de forma contínua (streaming), permitindo acções imediatas.

Este processamento de dados em streaming pode ser suportado por uma arquitectura baseada em eventos, recorrendo a tecnologias como Apache Kafka para o processamento instantâneo, ou por uma solução de data lakehouse que permite relacionar o streaming de dados com informação histórica na mesma plataforma. Em ambos os casos, a escalabilidade é garantida pela infra-estrutura na cloud, o que permite lidar com flutuações no volume de eventos de forma automática sem necessidade de configurações adicionais.

Que desafios continuam a existir na migração para a cloud, sobretudo em sectores mais regulados?

Sectores mais regulados, como a banca ou os seguros, enfrentam o desafio acrescido de garantir simultaneamente a conformidade com um conjunto de regulamentos de aplicação transversal, como o GDPR e o AI Act, e outros específicos do sector financeiro, como o DORA, Basileia, Solvência, efietc. Associada a esta regulação, acaba por surgir também o tema da soberania dos dados, o que leva muitas empresas a adoptar uma estratégia híbrida, garantindo que, apesar da utilização de uma cloud pública, os dados críticos são sempre mantidos localmente ou numa cloud privada (e certificada).

Outro tópico a considerar é a necessidade da definição de uma estratégia multi-cloud ou de uma estratégia de saída da cloud, para endereçar temas de continuidade do negócio e resiliência, evitando vendor lock-in. Estas estratégias podem levar ao aumento da complexidade da arquitectura da solução através da utilização de tecnologias agnósticas aos fornecedores de cloud, evitando soluções nativas destes.

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De que forma as organizações podem garantir que estão a retirar valor real dos seus dados e não apenas a acumulá-los?

Para evitar a acumulação de dados desnecessários, as organizações devem aplicar a mesma lógica que já era recomendada anteriormente para as soluções analíticas locais: definir o problema de negócio que queremos resolver, identificar os dados necessários para a análise e trazer apenas esses dados para a plataforma.

Para garantir a gestão deste processo de forma sustentável, evitando não só a acumulação, mas também replicação desnecessária, pode ser relevante seguir uma estratégia de criação de data products, com uma definição clara do conteúdo, identificação de um responsável (owner) e possibilidade de consumo do produto por várias equipas em paralelo. Esta estratégia permite um maior controlo da qualidade e do consumo real da informação, suportado por objectivos e métricas (KPIs/OKRs), permitindo identificar produtos sem utilização e que, por isso, não geram valor.

Qual é o papel da analytics avançada e da inteligência artificial na criação de vantagem competitiva?

A vantagem competitiva criada por estas tecnologias passa, em grande medida, pela agilidade e velocidade nas acções embebidas nos processos de negócio.

As capacidades de previsão, personalização e simulação em escala que a inteligência artificial nos traz podem ter impacto imediato no negócio se suportadas por dados com qualidade e pela infra-estrutura cloud adequada.

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Alguns exemplos de acções suportadas por IA ou pela introdução de agentes são: a criação e sugestão em tempo real de uma oferta personalizada para um cliente particular; o ajuste automático dos preços com base em informação interna ou externa recolhida por um agente; ou a simulação do impacto de alterações num processo logístico de forma a encontrar a configuração ideal para o contexto actual.

Como é que a combinação entre cloud e analytics está a influenciar a tomada de decisão ao nível da gestão de topo?

Com este tipo de soluções, os C-Level podem realmente tomar decisões data-driven, têm as principais métricas actualizadas em tempo real, possibilidade de ter projecções ou simulações baseadas em inteligência artificial e um maior grau de confiança na informação disponibilizada.~

Este tipo de plataformas permite também que a informação seja disponibilizada para toda a empresa aplicando sempre as mesmas regras de negócio, i.e. um operacional no terreno ou um executivo utilizam a mesma fonte para as suas análises e por isso baseiam as suas decisões nos mesmos números.

Que cuidados devem as empresas ter ao nível da segurança e governance dos dados num contexto cloud?

A segurança e o governance dos dados são críticos no contexto de um ecossistema de dados total ou parcialmente na cloud.

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A definição de papéis e responsabilidades relativamente à segurança e ao governance deve ser muito clara, começando pelo modelo de responsabilidade partilhada: o fornecedor de cloud normalmente limita-se à segurança física do hardware e de componentes base da plataforma, enquanto a organização é responsável pela configuração, acessos, dados e utilização segura.

As empresas devem ter o cuidado de garantir o controlo de identidades e acessos, protecção e rastreabilidade dos dados, incluindo estratégia de encriptação e anonimização, e a definição do catálogo de dados com categorização de dados sensíveis. Deve também ser considerada a definição de um plano de resiliência, que pode implicar o backup de dados e processos e uma possível estratégia de portabilidade da solução.

No entanto, a responsabilidade passa por toda a organização, pelo que é essencial garantir a literacia de todos os elementos da equipa para temas de segurança de dados e infra-estrutura.

A cultura organizacional continua a ser uma barreira à adoção destas tecnologias? Que mudanças são necessárias?

A cultura organizacional pode estar a impedir, em alguns casos, a realização do retorno esperado sobre todo o investimento feito nos últimos anos em soluções analíticas ou que recorrem a inteligência artificial.

Para atingir este potencial será necessário garantir que as decisões são suportadas por dados e não apenas por intuição ou porque “sempre foi assim”. Esta mudança de mentalidade tem de se espalhar por toda a organização, mas deve começar na camada executiva.

Será também necessário garantir a literacia acerca dos dados e das soluções que os disponibilizam por toda a empresa, fomentando a partilha e consumo de data products entre departamentos.

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Não menos importante, será endereçar algum receio ou incerteza que estes tipos de tecnologias podem causar. Para isso, é necessário mostrar o valor que a solução acrescenta (com casos de uso concretos e quick wins), garantir patrocínio executivo, criar incentivos alinhados com a utilização de dados e investir em formação por perfis. Assim, a tecnologia pode suportar o trabalho de cada indivíduo, libertando tempo para tarefas que acrescentem ainda mais valor.

Como vê a evolução das arquitecturas de dados nos próximos anos, nomeadamente com o crescimento de soluções multi-cloud e híbridas?

As evoluções das arquitecturas de dados caminham no sentido de tornar transparente para o utilizador a localização física dos dados e garantir um acesso único e consistente a cada conceito de negócio disponibilizado pelas plataformas.

A criação de camadas semânticas a nível empresarial vai “mascarar” a utilização de soluções multi-cloud ou híbridas, garantindo a consistência necessária para a exploração e utilização dos dados pelas equipas de negócio.

Também é relevante destacar a evolução para estratégias de dados baseadas em data products, com cada equipa ou departamento a assumir a responsabilidade pelos seus produtos, enquanto a equipa de dados garante a regulação da plataforma – modelo federado.

Este tipo de soluções colocará um peso maior nas componentes de FinOps, observabilidade e orquestração, suportada cada vez mais por agentes, de forma a permitir uma maior optimização dos consumos cloud considerando o contexto e benefício de cada actividade executada na plataforma na selecção do local onde esta será realmente executada.

Que sectores ou áreas de negócio estão mais avançados na adopção de cloud & analytics e porquê?

Ainda temos exemplos de vários níveis de maturidade, desde empresas que estão a criar o seu ecossistema de dados consolidado com recurso a cloud até empresas que já se poderiam considerar AI Native.

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As empresas mais avançadas neste caminho normalmente sentiram a pressão de um mercado mais competitivo ou tiveram de assegurar o alinhamento com exigências regulatórias, estando associadas a sectores como Banca, Seguros, Energia, Retalho e Telecomunicações.

Olhando para o futuro, quais serão as principais tendências que irão marcar a evolução da cloud e analytics nos próximos três a cinco anos?

As evoluções que estarão mais próximas de ficar disponíveis serão a democratização no acesso e análise de dados através de linguagem natural, permitindo que um utilizador de negócio sem qualquer contexto técnico proceda a uma análise de dados para a qual necessitaria, hoje em dia, de conhecimento de SQL ou Python, e a disseminação do Agentic AI com a criação de agentes autónomos embebidos nos processos de negócio, deixando o papel de suporte e passando a executantes que fomentam a evolução dos próprios processos.

Num horizonte mais longo e em casos específicos, poderá ganhar expressão o acesso à computação quântica via fornecedores de cloud, com impacto em contextos como a indústria farmacêutica e optimização, acelerando a resolução de alguns problemas de dias para minutos ou segundos.

Este artigo faz parte da edição de Maio  (n.º 242) da Executive Digest.

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