Rangel diz que candidatura de Vucic às legislativas sérvias não é sinal positivo

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje “extremamente preocupante” a “glorificação” do genocida Ratko Mladic pelas autoridades sérvias e que a intenção do Presidente, Aleksandar Vucic, de concorrer às legislativas antecipadas de outubro “não é um sinal positivo”.

Executive Digest com Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje “extremamente preocupante” a “glorificação” do genocida Ratko Mladic pelas autoridades sérvias e que a intenção do Presidente, Aleksandar Vucic, de concorrer às legislativas antecipadas de outubro “não é um sinal positivo”.

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“Uma coisa é fazer um funeral, outra coisa é a glorificação de alguém que foi um genocida”, criticou hoje Paulo Rangel, questionado pela presidente da comissão de Assuntos Europeus, a socialista Edite Estrela, durante uma audição no parlamento.

O antigo comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic morreu em 27 de agosto, quando cumpria pena de prisão perpétua numa prisão em Haia, nos Países Baixos, após ter sido condenado por crimes de guerra e contra a humanidade.

Milhares de pessoas, incluindo vários ministros, assistiram ao funeral de Mladic na segunda-feira na Sérvia, o que suscitou críticas de vários países, incluindo Portugal, e da União Europeia (UE), com a qual Belgrado tem em curso negociações de adesão.

“É muito negativo para a União Europeia e para a Sérvia também”, considerou o chefe da diplomacia portuguesa.

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A Sérvia, sustentou, “é um país muito importante para a UE e para que os Balcãs estejam bem integrados”, considerando que estes desenvolvimentos são “um grande obstáculo” no processo de adesão de Belgrado ao bloco europeu.

Para Rangel, que foi representante permanente da UE para a Bósnia-Herzegovina durante sete anos, é preciso que os países dos Balcãs façam uma reparação da guerra.

“Países que querem entrar na UE, em vez de mostrarem vontade de reconciliação, vêm excitar esses fantasmas do passado”, lamentou, reconhecendo: “Choca-me profundamente”.

Por outro lado, Rangel criticou o que disse ser “uma moda na região” de presidentes se demitirem para serem candidatos a primeiro-ministro, como fez na semana passada Vucic, no poder desde 2014.

“Não é um sinal positivo”, disse, considerando que seria preferível que Vucic “chegasse ao fim do ciclo e se retirasse”.

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O chefe de Estado sérvio dissolveu na quarta-feira o parlamento e convocou eleições antecipadas para 25 de outubro, depois de enfrentar durante quase dois anos fortes protestos contra a corrupção no seu Governo.

Vucic tinha anunciado dias antes que iria renunciar ao cargo para concorrer em outubro ao cargo de primeiro-ministro.

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