A Páscoa é uma das datas mais significativas do calendário cristão, assinalando a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este momento marca o início de um período de 50 dias que se estende até à celebração de Pentecostes, sendo vivido por milhões de pessoas em todo o mundo.
No entanto, a forma como esta data é interpretada e celebrada varia bastante entre religiões. De acordo com a ‘CNN Brasil’, embora a Páscoa tenha raízes no judaísmo, várias tradições religiosas atribuem-lhe significados distintos, muitas vezes associados a renovação, reflexão e espiritualidade.
Judaísmo: a origem da Páscoa
A Páscoa cristã tem origem na tradição judaica, mais concretamente na celebração do Pessach. Esta festividade relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, simbolizando a passagem para a liberdade.
O termo “Pessach” significa precisamente “passagem”, representando a transição de um estado de opressão para uma nova vida. Trata-se de uma celebração profundamente familiar, que convida os participantes a colocarem-se no lugar dos seus antepassados e a refletirem sobre escolhas e valores.
Igreja Ortodoxa: diferenças no calendário
As igrejas ortodoxas celebram a Páscoa em datas diferentes das da Igreja Católica. Isto acontece porque seguem o calendário Juliano, ao contrário do calendário Gregoriano adotado pela Igreja Romana desde 1582.
A data da Páscoa ortodoxa é determinada com base em critérios astronómicos: ocorre sempre num domingo, após a primeira lua cheia depois do equinócio da primavera e, obrigatoriamente, depois da Páscoa judaica. Estas diferenças resultam de divergências históricas que remontam aos primeiros séculos do cristianismo.
Espiritismo: uma celebração contínua
No espiritismo, a Páscoa não é celebrada como uma data específica. Ainda assim, os seus princípios estão presentes ao longo de todo o ano.
Os espíritas valorizam a mensagem de Jesus como um guia permanente para a vida, defendendo que os ensinamentos de renovação espiritual devem ser vividos diariamente, e não apenas numa ocasião particular.
Islamismo: Jesus como profeta
No islamismo, a Páscoa não é celebrada nos mesmos moldes que no cristianismo. Os muçulmanos reconhecem Jesus como um profeta, mas não como filho de Deus.
Em vez disso, o principal momento de espiritualidade é o Ramadão, considerado o mês mais sagrado do calendário islâmico. Durante este período, os fiéis praticam o jejum diário desde o nascer ao pôr do sol, abstendo-se também de comportamentos considerados negativos. Este ritual simboliza purificação, autocontrolo e crescimento espiritual.
Candomblé e Umbanda: tradição e renovação
Nas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, a Páscoa não é celebrada segundo os rituais cristãos.
Durante a Quaresma, muitos terreiros suspendem as suas atividades habituais num período conhecido como Lorogun. Este momento é entendido como um tempo de recolhimento e simboliza uma batalha espiritual dos Orixás contra forças negativas. No final deste ciclo, inicia-se um novo ano litúrgico, marcado pela renovação.
Uma celebração com múltiplos significados
Apesar das diferenças, a Páscoa surge em várias religiões como um símbolo de transformação, renovação e esperança. Seja através da memória histórica, da espiritualidade diária ou de rituais específicos, este período continua a ser um momento de profunda reflexão para milhões de pessoas em todo o mundo.












