Governo suspende negociações com bombeiros sapadores após protestos

As negociações entre os sindicatos dos bombeiros sapadores e o Governo, que visavam discutir a revisão das suas carreiras, foram suspensas esta terça-feira após protestos intensos junto ao Campus XXI, em Lisboa. Centenas de bombeiros de todo o país manifestaram-se no local, exigindo melhores condições de trabalho, incluindo um aumento do subsídio de risco e uma valorização da carreira profissional.

Pedro Zagacho Gonçalves

As negociações entre os sindicatos dos bombeiros sapadores e o Governo, que visavam discutir a revisão das suas carreiras, foram suspensas esta terça-feira após protestos intensos junto ao Campus XXI, em Lisboa. Centenas de bombeiros de todo o país manifestaram-se no local, exigindo melhores condições de trabalho, incluindo um aumento do subsídio de risco e uma valorização da carreira profissional.

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“O Governo suspende de imediato reunião negocial com representantes dos sapadores, por não aceitar negociar perante formas não ordeiras de manifestação”, afirmou fonte do Governo numa nota enviada à Lusa, quando centenas de bombeiros se manifestam em frente à sede do Governo. “Não estão em causa, até ao momento, as condições de segurança. As negociações poderão ser retomadas se e quando forem assegurados o respeito pelo diálogo e tranquilidade no exercício do direito de manifestação”, afirma a fonte do Governo.

Cerca de 300 a 400 bombeiros, fardados e muitos usando capacetes, concentraram-se na Avenida João XXI, após uma marcha lenta iniciada em Alvalade. O protesto foi marcado por tochas acesas e sucessivos rebentamentos de petardos, gerando uma nuvem de fumo intenso na área. Palavras como “vergonha” e “respeito” ecoaram entre os manifestantes, refletindo a insatisfação generalizada.

A situação escalou quando os bombeiros tentaram ultrapassar o cordão policial montado pela Unidade Especial de Polícia para impedir o acesso ao edifício onde decorriam as reuniões. Alguns manifestantes conseguiram furar a barreira, levando as autoridades a cortar o trânsito na Avenida João XXI e reforçar a segurança.

Os bombeiros sapadores, cuja carreira não é revista há mais de duas décadas, exigem mudanças profundas no seu estatuto profissional. Entre as principais reivindicações estão:

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  • aumento do subsídio de risco, atualmente proposto em apenas 37,5 euros mensais, valor considerado “altamente ofensivo” pelos profissionais;
  • valorização salarial que reconheça os riscos e responsabilidades da profissão;
  • revisão do regime de progressão na carreira, que os bombeiros consideram estar “estagnada desde 2002”;
  • melhores condições de reforma, tendo em conta as exigências físicas da função;
  • garantia de formação contínua, essencial para lidar com a complexidade crescente das missões.

Um bombeiro presente no protesto, em declarações à RTP, sublinhou que a carreira deixou de ser atrativa, apontando para dificuldades crescentes no recrutamento. “A carreira está estagnada há mais de 22 anos. Estamos a chegar a um ponto de não retorno”, afirmou.

Além das reivindicações, os manifestantes criticaram a resposta do Governo, acusando-o de falta de compromisso nas negociações. O mesmo bombeiro classificou como “bullying” a atitude do Executivo, referindo-se também à presença policial como uma tentativa de catalogar os bombeiros como “arruaceiros”.

A suspensão das negociações foi anunciada pouco após o protesto intensificar-se, num momento em que os sindicatos já haviam ameaçado abandonar a mesa caso não houvesse avanços significativos.

A reunião suspensa hoje incluía representantes de seis sindicatos, como o Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais (SNBP), o Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS) e outros representantes de trabalhadores da administração pública e local. Do lado do Governo, participavam o secretário de Estado da Proteção Civil, Paulo Simões Ribeiro, a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, e o secretário de Estado da Administração Local, Hernâni Dias.

O objetivo principal era encontrar um consenso sobre o estatuto dos bombeiros sapadores, que atualmente enfrentam desafios relacionados à precariedade salarial e às condições de trabalho.

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