Não são só os mais novos que, por vezes, torcem o nariz a sabores mais exóticos ou pratos mais estranhos: quantos de nós, já adultos, dizemos não gostar de iguarias como anchovas, queijos intensos ou até o ocasional vegetal?
Acontece que pode ‘treinar’ as papilas gustativas para desfrutarem de alimentos que anteriormente não estavam entre os seus preferidos, segundo explica Nicholas Archer, cientista especializado em Ciências Sensoriais e do Sabor, num artigo publicado no The Conversation.
As preferências alimentares são determinadas por uma série de fatores, incluindo a genética e fatores ambientais, que são cruciais. O ambiente cultural e a forma a que somos expostos a determinados alimentos também moldam as preferências que, segundo o especialista, são em grande medida “aprendidas”.
Muita dessa aprendizagem acontece na infância, em casa, na creche e noutros locais em que vamos explorando alimentos diferentes, mas também pode ser feita em idade adulta. É no experimentar, e observar o que os outros fazem que levam a associações positivas ou negativas, e essas influências podem variar na infância, adolescência e idade adulta.
O caso dos chamados ‘gostos que se adquirem com a idade’ como café ou a cerveja, demonstram isto: a capacidade de superar o ‘não gostar’ de um destes produtos é devida ao contexto social onde são consumidos ou os efeitos fisiológicos dos compostos contidos neles.
O especialista deixa 7 conselhos para ‘aprender’ a gostar daqueles alimentos que não suporta:
1 – Não desista de comer. Apenas uma pequena porção é necessária para desenvolver o gosto por um sabor específico ao longo do tempo. Pode levar de 10 a 15 tentativas ou mais antes que possa dizer que “gosta” de determinado alimento
2 – Disfarce o sabor que não lhe agrada (amargo, por exemplo) comendo-o com outros alimentos ou ingredientes que contenham sal ou açúcar. Por exemplo, combine a rúcula, que é amarga, com um molho mais adocicado numa salada.
3 – Coma repetidamente em num contexto positivo. Isso pode significar comer depois de praticar o seu desporto favorito, faze ruma atividade de lazer que goste ou após estar com alguém que estima e que o faz feliz. Alternativamente, pode comer o que não gosta com alimentos que já gosta; se for um vegetal específico, experimente combiná-lo com sua proteína favorita.
4 – Coma quando estiver com fome. Quando estiver com fome, vai estar mais disposto a aceitar um sabor que talvez não aprecie com o estômago cheio.
5 – Lembre-se do motivo pelo qual deseja saborear este alimento. Seja porque está a adotar uma dieta mais saudável, teve que mudar hábitos alimentares, mudou-se de país ou está a ter dificuldades com determinada culinária tradicional, lembre-se da razão que motiva a decisão.
6 – Começar mais cedo. É mais fácil para as crianças aprenderem a gostar de novos alimentos, porque os seus gostos e hábitos estão menos estabelecidos.
7 – Lembre-se: quantos mais alimentos entrarem na sua lista de ‘aprovado’, mais fácil será aprender a gostar dos outros (até aqueles que considerava impensáveis)














