Plano Draghi: Em que áreas/setores Portugal se pode destacar? Executivos explicam

Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, Cristina Rodrigues, Administradora-Delegada da Capgemini Portugal, Luísa Pestana, Administradora da Vodafone e Pedro Empis, Diretor Executivo e membro da Comissão Executiva da Randstad Portugal, juntaram-se numa mesa-redonda para debater o contributo de Portugal para o Plano Draghi.

André Manuel Mendes
Abril 1, 2025
13:06

Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, Cristina Rodrigues, Administradora-Delegada da Capgemini Portugal, Luísa Pestana, Administradora da Vodafone e Pedro Empis, Diretor Executivo e membro da Comissão Executiva da Randstad Portugal, juntaram-se numa mesa-redonda para debater o contributo de Portugal para o Plano Draghi.

 



Competitividade e inovação

Cristina Rodrigues voltou a sublinhar um ponto já assinalado na conferência, a inversão dos papéis, ou seja, o que pode o Plano Draghi fazer por Portugal.

A Administradora-Delegada da Capgemini Portugal lançou uma questão: Como nos podemos capitalizar? Nesse âmbito, o Plano Draghi tem duas bases, crescimento e competitividade, “e é isso que temos de fazer enquanto empresários. Ou fazemos isso, ou estamos fora do mercado por não sermos competitivos”.

Portugal não tem crescido, teve uma evolução positiva de apenas 1% desde 2000, e isso é realmente baixo, isto porque, para a executiva, os problemas são a falta de foco e planeamento estratégico, inovação e tecnologia, e terceiro um plano de competitividade e estratégia.

No âmbito da inovação tecnológica, Luísa Pestana destacou a importância do investimento nas redes móveis e fixas, sendo que todos os anos a Vodafone investe 250 milhões de euros neste âmbito, e também o acelerar o desenvolvimento de casos práticos e agilizar todos os processos administrativos e regulatórios.

No caso dos Data Centers, considera que Portugal tem um papel fundamental e estratégico, não só pela localização, mas também pelos recursos. Mas, porque não aproveitar? Fica a questão no ar.

Ana Trigo Morais debruçou-se sobre a sustentabilidade como valor acrescentado para as empresas para as tornar mais competitivas. A executiva considera que a escassez de recursos faz com que a sustentabilidade seja uma necessidade, procurando formas mais eficientes de gestão de negócios. “Muitas vezes a sustentabilidade provoca um certo aborrecimento nos gestores”, destaca.

A CEO da Sociedade Ponto Verde sublinhou ainda a desarmonização existente entre os Estados-membros, destacando a importância de se simplificar as guidelines e a compliance. “Não podemos ter uma Europa competitiva se não tivermos mais harmonização”, afirmou.

Por sua vez, Pedro Empis considera que temos de pensar como podemos ler as reflexões do plano Draghi e como nos podemos identificar naquela falta de competitividade.

“Temos de colocar as crianças a gostar de matemática e filosofia, promover o pensamento crítico. O nosso ensino superior é muito reconhecido, mas não chega”, destaca o executivo,

Para além disso, considera que no ensino profissional devia haver uma aposta em determinados setores estratégicos que acrescentem valor à formação dos futuros profissionais.

 

Da estagnação à ação

“Não conseguimos ser competitivos se não tivermos os recursos certos e com as pessoas bem formadas”, lança o alerta Cristina Rodrigues. Para a Administradora-Delegada da Capgemini Portugal falta dinamização, marketing, arrojo, investimento – “Temos de capitalizar isto, estamos geograficamente muito bem localizados”, destacou, sublinhando também a importância da capitalização dos recursos marítimos, onde poderíamos ser competitivos no futuro.

Ainda no tópico da localização geoestratégica de Portugal, Luísa Pestana sublinha a importância deste fator no desenvolvimento de projetos de inovação, infraestrutura de dados, e também para o setor da Defesa.

Parece que temos tudo, quando deixamos de ser um país de planos e passamos à implementação? Ana Trigo Morais não hesita e refere que somos deficitários em ambição, que somos capazes de fazer bem e melhor. Para além disso, faltam recursos, enquadramentos, tribunais, entre outros.

No âmbito laboral, Pedro Empis considera que o código de trabalho é antiquado, as gerações mudaram, querem coisas diferentes, e é preciso refundar tudo isto. Dá como exemplo a contratação a termo coloca grandes entraves, é necessário mais agilidade, adaptar a flexibilidade de horários a um contrato de trabalho, ou ainda a impossibilidade de uma empresa recorrer ao outsourcing após um despedimento.

 

Call to Action

Desafiados a deixarem um Call to Action ao país, Cristina Rodrigues sublinha que “as empresas não precisam que o Estado nos indique o caminho”, e apela que este não esteja a “castrar a criatividade e os bons talentos”, enquanto Luísa Pestana destaca que “as empresas devem inovar, investir em novas tecnologias e também na capacitação dos seus quadros”.

“Enquanto não conseguirmos colocar estes temas com o enforcement que eles precisam, vamos estar mais 10 anos estagnados”, alerta Ana Trigo Morais, com Pedro Empis a reforçar a aposta na formação e requalificação dos profissionais.

 

A XXVIII Conferência Executive DIgest conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Capgemini, Delta Q, Fidelidade, Galp, Lusíadas Saúde, Randstad, MC Sonae, Unilever, Vodafone, e ainda com a parceria da Capital MC, Neurónio Criativo, Sapo. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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