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Os três sintomas que podem antecipar um caso grave de covid-19

O tipo de sintomas e caraterísticas clínicas apresentados pelos pacientes com covid-19 no momento da admissão no hospital podem servir de guia para prever uma evolução da doença. Esta é a conclusão da investigação ligada ao “Registo Semi-Covid-19” que, após analisar 12.066 doentes hospitalizados com covid-19 em Espanha, identifica, estabelece e caracteriza quatro grandes grupos de quadros de sintomas.

Os pacientes que apresentam apenas febre, tosse e falta de ar; aqueles que também têm vómitos e diarreia; ou aqueles que sofrem de artromialgia (dor nas articulações e/ou músculos), dor de cabeça e dor de garganta são, a priori, os piores prognósticos. Ou seja, a doença pode evoluir de uma forma mais grave nestes pacientes.

Por outro lado, aqueles que apresentam sintomas como os de uma constipação comum ou com uma perda de olfato e paladar, são aqueles com melhor prognóstico, de acordo com esta investigação cujos resultados preliminares são publicados no Journal of Clinical Medicine.

Do total de 12.066 pacientes incluídos no estudo, a maioria era do sexo masculino (58,5%) e caucasiano (89,5%), com uma média de idades de 67 anos. As principais comorbidades (doenças pré-existentes) de antes da admissão foram hipertensão, hiperlipidemia (excesso de gorduras no sangue) e diabetes.

O primeiro grupo, que incluía 8.737 pacientes com os três sintomas clássicos: febre, tosse e dispneia, foi o maior e mais numeroso (com 72,4% dos que participaram no estudo). O perfil mais repetido neste caso foi o de um homem mais velho com uma maior prevalência de comorbilidades. O tempo entre o aparecimento dos sintomas e a admissão no hospital foi também mais curto do que nos outros grupos identificados. Um em cada dez pacientes deste grupo requereu a admissão em unidades de cuidados intensivos (UCI) e aproximadamente um quarto deles (24,1%) morreu, representando a maior taxa de mortalidade dos quatro grupos.

O segundo grupo, com 1196 pessoas (9,9% de todos os pacientes), também apresentava ageusia (perda de paladar) e anosmia (perda do olfato), frequentemente acompanhada de febre, tosse e/ou falta de ar. Este grupo apresentou a mais baixa percentagem de admissão e mortalidade nas UCI (4,3%).

O terceiro grupo, com 880 pacientes (7,3% do total), também apresentava artromialgia (dor nas articulações e/ou músculos), dor de cabeça e de garganta, frequentemente acompanhada também de febre, tosse e/ou dispneia. Até 10,8% dos pacientes necessitaram de UCI e 14,7% morreram.

Por último, o quarto grupo, com 1253 doentes (10,4% do total), apresentou diarreia, vómitos e dores abdominais, também frequentemente acompanhadas de febre, tosse e/ou falta de ar. Destes, 8,5% exigiram a admissão em UCI e 18,6% morreram – a segunda maior taxa de mortalidade dos quatro grupos identificados.

Em geral, os sintomas mais comuns foram febre, tosse e falta de ar. Já os três menos comuns foram vómitos, anosmia (perda total do olfato) e dor abdominal.

Esta investigação faz parte das mais de 70 investigações em curso ligadas ao “Registo Semi-Covid-19”, que envolve quase 900 internistas de 214 hospitais de todo o país e contém dados sobre mais de 17.000 doentes com covid-19.

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