Irão: Conflito prolongado eleva risco de tensões sociais na Ásia-Pacífico — Fitch

A agência de notação financeira Fitch alertou para um aumento do risco de tensões sociais e protestos na região da Ásia-Pacífico provocado pelo aumento do custo de vida, caso o conflito no Golfo se prolongue.

Executive Digest com Lusa

A agência de notação financeira Fitch alertou para um aumento do risco de tensões sociais e protestos na região da Ásia-Pacífico provocado pelo aumento do custo de vida, caso o conflito no Golfo se prolongue.

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“O papel central do Golfo nos mercados globais de fertilizantes”, a subida do preço do gás natural e “as perturbações no comércio” podem elevar os custos dos fertilizantes, sublinhou a Fitch, num relatório divulgado na terça-feira.


Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos iniciaram uma vaga de bombardeamentos contra o Irão. Em retaliação, Teerão tem atacado alvos nos países vizinhos do Golfo, incluindo bases militares e infraestruturas energéticas, e encerrou o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo.


Desde o início do conflito, os mercados asiáticos registaram um aumento de 143% no preço do gás natural liquefeito, componente que representa a maioria dos custos de produção de fertilizantes.


A China já impôs restrições às exportações de fertilizantes fosfatados e a Fitch disse esperar que a medida se mantenha, “restringindo o fornecimento em toda a região” da Ásia-Pacífico.

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Uma subida no custo dos fertilizantes poderá tornar mais caros os alimentos e mais pesados os encargos financeiros dos países que têm “grandes programas” de subsídios à agricultura, referiu a agência.


Com menos fertilizante disponível no mercado, explicou a Fitch, os alimentos produzidos serão menos nutritivos, “aumentando os riscos para a segurança alimentar”, particularmente nos países com baixos rendimentos.


Potenciais interrupções no fornecimento de petróleo podem também acelerar a inflação e limitar o crescimento nos países da Ásia-Pacífico, altamente dependentes das importações de combustíveis fósseis, referiu a Fitch.


“O impacto será desigual em toda a região”, prevê a agência, com a Índia, Coreia do Sul, Paquistão, Filipinas, Maldivas e Tailândia entre os mais afetados.


Pelo contrário, os exportadores líquidos de energia, como a Austrália e a Malásia, poderão obter maiores receitas da venda de petróleo e gás natural, refere o relatório.

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No entanto, a Fitch espera que nenhuma economia da Ásia-Pacífico beneficie, de forma geral, de um conflito prolongado no Golfo, devido ao impacto na inflação e no crescimento económico e às “pressões políticas associadas”.


A agência diz que jurisdições como Singapura ou Macau, com “grandes reservas financeiras”, podem implementar apoios aos combustíveis, eletricidade ou aos fertilizantes para estabilizar a economia.


Mas “as finanças públicas deterioraram-se em muitos países da região Ásia-Pacífico desde a pandemia de covid-19”, lembrou ainda a Fitch, o que resultou na diminuição das reservas disponíveis para a política orçamental.


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