Os resultados do 49.º Barómetro da Executive Digest revelam um tecido empresarial que entra na segunda metade de 2026 com maior estabilidade, mas também com um pragmatismo crescente. Depois das oscilações verificadas ao longo do primeiro semestre, as empresas mantêm perspectivas positivas de crescimento, embora moderadas por um contexto económico ainda incerto. A transformação digital, a Inteligência Artificial (IA) e a competitividade fiscal assumem-se como as principais prioridades para o final do ano.
Confiança
Após um início de ano marcado pelo optimismo, seguido da prudência registada em Abril, a confiança estabilizou. Em Agosto, 59% das empresas prevêem aumentar a facturação face a 2025, embora abaixo dos 75% que, em Junho, antecipavam esse crescimento. Ao mesmo tempo, 72% dos gestores classificam a confiança na economia como moderada, reflectindo uma visão mais cautelosa sobre a evolução do contexto económico.
Prioridades
As prioridades estratégicas também evoluíram. A expansão de mercado perdeu peso, passando de 53% para 36%, enquanto a digitalização e a implementação de IA cresceram de 19% para 33%. Depois de uma primeira fase centrada na avaliação dos ganhos de produtividade, as empresas parecem agora apostar em investimentos estruturais em tecnologia para reforçar a competitividade. A eficiência operacional e a redução de custos voltaram igualmente a ganhar relevância.
Investimento
Os planos de investimento reflectem este ambiente de maior prudência. A manutenção do investimento é agora a opção dominante (48%), enquanto 46% das empresas admitem aumentá-lo. A evolução sugere uma maior preocupação em preservar liquidez perante a incerteza associada aos próximos tempos e ao seguinte ciclo orçamental.
Competitividade
Pela primeira vez este ano, a Fiscalidade (41%) ultrapassa a Burocracia (36%) como principal obstáculo à competitividade. No plano externo, os custos decorrentes do conflito no Médio Oriente continuam a preocupar as empresas, sobretudo ao nível da energia e dos combustíveis. Em paralelo, mantém-se um forte consenso quanto à necessidade de acelerar o investimento em biocombustíveis, complementando a aposta na electrificação.
Reformas
À medida que se aproxima o Orçamento do Estado para 2027, os gestores apontam três prioridades: simplificação administrativa e redução da burocracia (69%), redução da carga fiscal sobre o trabalho (56%) e diminuição do IRC (54%). A habitação surge igualmente como uma preocupação crescente, reflexo do seu impacto na atracção e retenção de talento.


Futuro
Apesar de uma ligeira melhoria na percepção sobre a preparação de Portugal para enfrentar os desafios da próxima década, apenas 6% dos gestores a classificam como boa ou muito boa. Para os líderes empresariais, continua a existir um desfasamento entre a capacidade de adaptação das empresas e a ausência de uma estratégia nacional capaz de reforçar a competitividade e criar condições para um crescimento sustentado.
O 49.º Barómetro da Executive Digest revela um tecido empresarial que continua apostado no crescimento, mas condicionado pelo peso da fiscalidade e da burocracia. Entre a expansão estratégica e a necessidade de ganhar eficiência, a inteligência artificial afirma-se como um instrumento decisivo para reforçar a produtividade e sustentar a competitividade das empresas.


Este Barómetro conta também com a análise dos especialistas:
– Vítor Ribeirinho, CEO / Senior Partner da KPMG Portugal
– Nelson Pires, General Manager / Jaba Recordati
– Carla Marques, CEO/ Intelcia Portugal
– Luís Lopes, CEO / Vodafone
– Vasco Antunes Pereira, Presidente do conselho de administração e CEO / Grupo Lusíadas Saúde
– Ricardo Martins, Director-geral / CEGOC
– José Borralho, Presidente executivo & fundador/ Consumerchoice Europe
– José Theotónio, CEO / Pestana Hotel Group
– João Duque, Professor Catedrático / ISEG
– José Esteves, DEAN /Porto Business School
– Helene Westerlind, CEO / ZURICH Portugal
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 244 de Agosto de 2026















