“Um país arruinado”: Trump critica gestão de Sánchez em Ceuta e aponta falhas no investimento em Defesa

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, dirigiu hoje duras críticas a Espanha, classificando-a como “um país arruinado” no seguimento da crise migratória registada na cidade autónoma de Ceuta.

Pedro Zagacho Gonçalves

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, dirigiu hoje duras críticas a Espanha, classificando-a como “um país arruinado” no seguimento da crise migratória registada na cidade autónoma de Ceuta. As declarações surgiram no decorrer de uma entrevista concedida à cadeia britânica GB News, na qual o líder republicano abordou os acontecimentos de julho passado, marcados pela entrada massiva de cerca de 80.000 migrantes.

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Na perspetiva do chefe de Estado norte-americano, os episódios vivenciados em território espanhol constituem algo “triste de ver”. Donald Trump enfatizou que “nunca” tinha presenciado uma situação semelhante à que ocorreu no enclave espanhol no Norte de África, acrescentando que “não é comum que milhares de pessoas invadam o teu país sem permissão”.

Durante a mesma intervenção, o governante expressou o desejo de que outras nações, nomeadamente o Reino Unido, não venham a enfrentar um cenário “tão visível” quanto o espanhol. Embora reconheça que Londres partilha desafios migratórios idênticos aos de Espanha, Trump destacou que os britânicos “não têm milhares de pessoas a irromper no seu país dessa maneira”.

Tensão política e o relatório policial do CENIF
As declarações do presidente norte-americano surgem num momento de particular sensibilidade para o executivo liderado por Pedro Sánchez. O Governo espanhol enfrenta uma nova vaga de polémica em torno da divulgação de um relatório policial elaborado pelo Centro de Integração e Formação para Estrangeiros (CENIF).

O documento em causa regista até nove alertas emitidos sobre a pressão migratória na fronteira de Ceuta, entre os dias 8 de julho e 4 de agosto, e aponta para a possível participação de agentes marroquinos, indicando que estes terão atuado como guias para os migrantes que acederam irregularmente à cidade.

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Apesar dos dados constantes no relatório do CENIF, o presidente do Governo espanhol rejeitou publicamente a existência de provas irrefutáveis. Pedro Sánchez sublinhou esta quinta-feira que, “até ao dia de hoje, ninguém apresentou provas ao Governo que permitam concluir que esta entrada massiva na cidade espanhola de Ceuta foi desenhada ou executada pelas autoridades marroquinas”.

A posição do líder socialista reforça as declarações proferidas numa entrevista recente, onde relembrou que a sua experiência em crises anteriores na região se pautou por “uma coordenação, uma cooperação instantânea, imediata por parte das autoridades marroquinas”.

Esta não é a primeira ocasião em que o chefe de Estado dos EUA aborda publicamente a situação no enclave. Logo nos primeiros dias da vaga migratória, Donald Trump tinha já atribuído a responsabilidade dos acontecimentos às “leis fracas” e a “uma má gestão” por parte do executivo de Pedro Sánchez, asseverando na altura que as autoridades de Espanha “não sabiam o que fazer” perante o afluxo de pessoas.

Recusas e reparos ao orçamento da Defesa
A par das questões migratórias, a entrevista à GB News serviu também para o líder norte-americano renovar os seus reparos relativamente aos compromissos de Madrid no seio da Aliança Atlântica. “Eu próprio tive problemas com Espanha porque não se comporta muito bem no que respeita à NATO”, afirmou Trump, rematando que os espanhóis “não pagam o que deveriam” e que tal postura é “muito triste”.

Por outro lado, a versão do Governo espanhol contrapõe a posição do governante norte-americano. O executivo de Sánchez adiantou recentemente ter respondido de forma satisfatória a uma solicitação para “numerosos pagamentos” apresentada pela NATO. Segundo a tutela espanhola, este esforço enquadra-se no compromisso assumido de atingir a meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) afeto à Defesa — uma intenção que o Governo garante ter transmitido diretamente a Donald Trump durante a última cimeira da Aliança, realizada em Ancara, na Turquia.

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