Urgência de Obstetrícia do Hospital de Setúbal restrita ao INEM até outubro por falta de médicos

A urgência de Obstetrícia do Hospital de Setúbal vai passar a receber apenas grávidas que lhe sejam encaminhadas diretamente pelo INEM.

Executive Digest

A urgência de Obstetrícia do Hospital de Setúbal vai passar a receber apenas grávidas que lhe sejam encaminhadas diretamente pelo INEM, uma medida excecional que se deverá manter pelo menos até ao início do mês de outubro. A decisão surge como consequência direta da escassez de médicos para assegurar o funcionamento pleno do serviço.

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Segundo as informações avançadas pela Rádio Renascença, o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Santos Almeida, abordou a temática após uma visita à Unidade Local de Saúde de Matosinhos. O responsável máximo da Direção-Executiva garantiu que, apesar de persistirem alguns constrangimentos, a situação geral na região da Península de Setúbal apresenta melhorias.

Confrontado com as limitações nos serviços, Álvaro Santos Almeida assegurou que “o modelo não está a falhar, pelo contrário, porque são duas situações em que as urgências estão a funcionar”. O diretor-executivo explicou o modo de operação atual, lembrando que os serviços “estão a receber os doentes urgentes, só não estão com as portas totalmente abertas”, e fez a comparação com a resposta anterior. “A alternativa, o modelo que existia antes das urgências centralizadas, é que as urgências estavam fechadas. Não é a resposta ideal, mas há resposta”, assumiu o responsável.

Atrasos críticos e “situação muito preocupante” no Amadora-Sintra
Além da reorganização do atendimento obstétrico na Península de Setúbal, Álvaro Santos Almeida identificou o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) como um “caso extremo” e classificou o cenário ali vivido como uma “situação muito preocupante”. Na mesma ocasião, o responsável apontou igualmente maiores problemas noutras duas unidades hospitalares da região de Lisboa e Setúbal, nomeadamente no Hospital do Barreiro e no Hospital de Santa Maria.

Relativamente ao Amadora-Sintra, o líder da Direção-Executiva do SNS sustentou que a unidade enfrenta fragilidades que ultrapassam a carência de recursos humanos. “Os problemas estruturais do Hospital Fernando da Fonseca podem ser resolvidos de várias formas, nenhuma delas no curto prazo. A situação no Fernando da Fonseca é uma situação estrutural. Porque não é só a questão de falta de médicos e falta de enfermeiros”, considerou, destacando ainda como fator determinante a “grande percentagem da população da ULS Amadora-Sintra que não tem médico de família”.

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O impacto destes problemas refletiu-se de forma expressiva no tempo de atendimento aos utentes. Dados retirados do portal do SNS indicam que, na manhã desta quinta-feira, o tempo de espera para a primeira observação de doentes urgentes — aos quais foi atribuída a pulseira amarela na triagem — esteve quase a atingir as 11 horas no Hospital Amadora-Sintra.

Esta demora contrasta fortemente com as metas estipuladas pelo protocolo de triagem, que fixa um tempo de atendimento recomendado de 60 minutos para os casos urgentes (pulseira amarela). No caso dos doentes conotados com a pulseira laranja, classificados como muito urgentes, a orientação determina que a observação médica deva ocorrer nos 10 minutos subsequentes à triagem.

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