As empresas portuguesas continuam disponíveis para investir e crescer, apesar de um contexto internacional marcado por fortes incertezas geopolíticas. Ainda assim, a confiança dos gestores na evolução da economia nacional mantém-se moderada e as dúvidas aumentam quando a análise se desloca para a capacidade de Portugal enfrentar os desafios da próxima década.
A leitura é de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati, a propósito dos resultados da XLIX edição do Barómetro da Executive Digest. Segundo o responsável, a maioria das empresas prevê aumentar o investimento e melhorar o desempenho do negócio até ao final de 2026, num sinal de confiança na própria capacidade de execução e adaptação.
Essa confiança empresarial, contudo, não se traduz numa avaliação igualmente positiva da economia portuguesa.
Confiança existe, mas permanece moderada
De acordo com os resultados do Barómetro da Executive Digest, 72% dos inquiridos situam o seu nível de confiança na economia entre cinco e seis, enquanto apenas 15% revelam níveis elevados ou muito elevados de confiança.
Para Nelson Pires, estes números apontam para um ambiente marcado pela prudência. As empresas mantêm expectativas positivas quanto ao seu desempenho, mas continuam atentas aos riscos económicos, políticos e geopolíticos que permanecem no horizonte.
O cenário revela, assim, empresas que acreditam na sua capacidade de continuar a investir e crescer, mas que adotam uma postura mais cautelosa quando avaliam a evolução da economia portuguesa.
Só 6% consideram Portugal bem preparado para a próxima década
É na avaliação da preparação do país para o futuro que surgem alguns dos dados mais significativos do Barómetro.
Apenas 6% dos líderes empresariais consideram que Portugal está bem ou muito bem preparado para enfrentar os desafios da próxima década. Em sentido contrário, 35% classificam essa preparação como insuficiente ou muito insuficiente.
A maioria dos gestores posiciona-se entre estes dois extremos, numa avaliação que, segundo Nelson Pires, traduz a perceção de que Portugal dispõe de potencial, mas continua limitado por problemas estruturais que condicionam a competitividade.
O responsável acrescenta que os gestores não identificam no horizonte reformas capazes de alterar significativamente essa perceção.
Empresas confiam mais na própria capacidade do que nas condições do país
Os resultados revelam, na análise de Nelson Pires, um contraste entre a confiança das organizações na sua própria capacidade para crescer e as reservas existentes quanto ao enquadramento necessário para sustentar esse crescimento a longo prazo.
As empresas continuam a demonstrar disponibilidade para investir, melhorar o desempenho e adaptar-se a um contexto exigente. A avaliação sobre a capacidade do país para acompanhar essa dinâmica é, no entanto, consideravelmente mais cautelosa.
Na interpretação de Nelson Pires, o Barómetro evidencia assim um paradoxo: as empresas acreditam na sua capacidade de crescer, mas mantêm reservas quanto à capacidade de Portugal — e, na sua opinião, das próprias políticas públicas — para criar as condições necessárias a um crescimento sustentado no longo prazo.
Este testemunho de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.














