Airbus termina mediação com sindicatos em Espanha

A Airbus de Espanha decidiu encerrar hoje a segunda mesa de mediação no Serviço Interconfederal de Mediação e Arbitragem (SIMA) e criticou, em comunicado, o facto de “nem todas as partes estarem dispostas” a chegar a um acordo.

Executive Digest com Lusa

A Airbus de Espanha decidiu encerrar hoje a segunda mesa de mediação no Serviço Interconfederal de Mediação e Arbitragem (SIMA) e criticou, em comunicado, o facto de “nem todas as partes estarem dispostas” a chegar a um acordo.

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A empresa já tinha encerrado, na terça-feira, a primeira sessão de mediação relativa à greve — uma das duas organizadas no SIMA —, após não ter chegado a um acordo com os sindicatos que convocaram a paralisação para suspender ou interromper a greve como condição para negociar.

“Infelizmente, o resultado desta negociação revelou que nem todas as partes estão dispostas a participar e a chegar a um acordo comum nesta mesa negocial”, salientou a empresa, citada pela agência espanhola EFE.

A Airbus afirma que continuará a trabalhar para encontrar uma solução para todos os colaboradores, para a empresa e para o futuro da companhia em Espanha.

O sindicato ÚTIL, um dos três organizadores da greve juntamente com a CGT e a UGT, referiu que os três sindicatos, bem como a SIPA, não compareceram ao fórum de negociação aberto pela empresa no SIMA, pelo que o processo foi encerrado sem acordo.

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No entanto, o sindicato sublinhou que continua a insistir em realizar uma reunião e prosseguir as negociações, pelo que tinha marcado um encontro com a empresa para esta quinta-feira, às 8:30 (hora local, menos uma hora em Lisboa), embora a direção “tenha recusado o encontro”, indicando que lhes seria marcada uma data assim que fosse possível.

Por seu lado, a CGT salientou que os representantes dos trabalhadores em greve mantêm plenamente a sua disponibilidade para negociar e exigem que a Airbus renuncie às condições prévias, retome imediatamente as conversações e apresente uma proposta completa que possa ser avaliada democraticamente pelas assembleias.

Fontes da CCOO, ouvidas pelas EFE, sublinharam que transmitiram a sua vontade de avançar nas negociações e resolver a situação de conflito o mais rapidamente possível, “melhorando a última proposta da empresa e garantindo os volumes de trabalho e o emprego na Airbus e no setor aeroespacial”.

Na quarta-feira, o comité de greve da Airbus (CGT, UGT e ÚTIL) anunciou que estava a ponderar processar a empresa por “abrir fóruns de negociação paralelos”, depois de a empresa ter encerrado a mesa de mediação relativa à mobilização, para prosseguir as negociações noutra, com os representantes sindicais não ligados à greve (CCOO, ATP e SIPA), embora essa mesa tenha sido encerrada hoje.

O sindicato ÚTIL denuncia o facto de a reunião do SIMA de hoje ter decorrido na mesa das negociações, e não com a comissão de greve, “o que viola o direito à greve e a obrigação da empresa negociar com a comissão de greve”.

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Por seu turno, na sequência da greve na Airbus que já acumula mais de um mês de paralisações entre julho e agosto, a Câmara de Comércio de Sevilha e a Federação de Empresários do Setor Metalúrgico (FEMEDE) apelaram à Airbus e aos sindicatos para que “intensifiquem os seus esforços no sentido de chegar, o mais rapidamente possível, a um acordo que permita pôr fim ao conflito laboral no mais curto prazo possível, com base em acordos aceitáveis e razoáveis” e também para “salvaguardar a indústria auxiliar”.

A Airbus conta com cerca de 14.000 trabalhadores distribuídos pelas fábricas de Getafe, Illescas, Albacete, Cádis e pelos centros de Tablada e San Pablo, em Sevilha.

A greve na Airbus Espanha teve início em 25 de agosto.

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