Excesso de mortalidade soma 541 óbitos em dezembro e afeta sobretudo idosos

Portugal registou um excesso de mortalidade significativo durante o mês de dezembro, com 541 óbitos acima do esperado num período de nove dias consecutivos.

Pedro Zagacho Gonçalves

Portugal registou um excesso de mortalidade significativo durante o mês de dezembro, com 541 óbitos acima do esperado num período de nove dias consecutivos. Os dados indicam que este agravamento coincidiu com uma descida acentuada das temperaturas e com um aumento dos casos de gripe e de infeções respiratórias, sobretudo nos serviços de urgência hospitalar.

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De acordo com a informação divulgada no portal Vigilância da Mortalidade, entre 6 e 14 de dezembro foram contabilizadas 3629 mortes nos dias em que se verificou excesso de mortalidade. O dia mais crítico foi 7 de dezembro, quando se registaram 425 óbitos, muito acima da linha de base prevista para essa data, fixada em 341 mortes.

O excesso de mortalidade incidiu de forma clara nas faixas etárias mais envelhecidas da população. Os dados mostram que o fenómeno afetou sobretudo pessoas com 70 ou mais anos, com particular incidência nos indivíduos com 85 ou mais anos, grupo etário onde se registaram mais 354 óbitos do que o esperado para o período analisado.

A distribuição geográfica revela um impacto desigual entre regiões. No Norte, o excesso de mortalidade verificou-se entre 24 de novembro e 15 de dezembro, enquanto na região Centro os registos acima do esperado começaram a 28 de novembro. Lisboa e Vale do Tejo contabilizaram 14 dias com excesso de óbitos desde 24 de novembro, evidenciando uma pressão prolongada sobre a mortalidade.

No Alentejo, o excesso de mortalidade foi observado desde 27 de novembro, com exceção dos dias 11 e 12 de dezembro, em que os valores regressaram aos níveis esperados. Já no Algarve, o fenómeno foi mais pontual, com registos de mortalidade em excesso apenas nos dias 27 de novembro e 12 de dezembro.

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Este agravamento surge num contexto de circulação intensa de vírus respiratórios. Esta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde alertou que 27 dos 38 países da Europa estão a enfrentar níveis elevados ou muito elevados de gripe, cerca de quatro semanas antes do habitual, fenómeno associado à disseminação da subclasse K do vírus da gripe, que está a provocar um aumento precoce e significativo da pressão sobre os sistemas de saúde.

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