Os países europeus, principalmente os países vizinhos da Ucrânia, estão a preparar-se para um conflito na Europa de leste que parece cada vez mais próximo de acontecer. A decisão de Putin de reconhecer a independência de duas regiões separatistas e a aprovação da Duma, o parlamento russo, do envio de tropas para território estrangeiro aumentou os receios de uma guerra.
Nesse sentido, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ordenou ao ministro da Defesa que enviasse tropas para o leste do país. “Proteger as nossas fronteiras é tão importante como prepararmo-nos para uma ação humanitária”, explicou o Tibor Benko, o ministro da Defesa húngaro. “As forças armadas húngaras têm duas tarefas: uma é proporcionar ajuda humanitária e a outra é fechar as fronteiras da Hungria e garantir que nenhum grupo armado pode entrar no país”, acrescentou.
Orbán também assegurou aos presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o apoio da Hungria durante uma conversa por telefone, adianta o ABC.
A Polónia, outro país vizinho da Ucrânia, aprovou esta terça-feira um projeto de lei que vai permitir reforçar rapidamente as forças militares polacas. Se o projeto de lei receber a aprovação final do parlamento vai antecipar os gastos previstos no orçamento da defesa, que vai alcançar os 2,3% do PIB em 2023 e não em 2024 como está planeado.
“Tudo serve a nossa segurança e tem como objetivo dissuadir um agressor potencial”, disse o ministro da Defesa, Mariusz Blaszczak.
Face à possibilidade crescente de uma invasão russa na Ucrânia, a Áustria criou um gabinete de crise sobre a situação ucraniana, composta pelos ministros das pastas mais afetadas, como são os casos da Energia, os Negócios Estrangeiros, a Defesa e a Economia.
“A situação na Ucrânia deteriora-se a cada hora, o espetro da guerra na Europa é lamentavelmente real”, afirmou o chanceler austríaco, Karl Nehammer.
Na República Checa, o chefe do exército, Ales Opata, alertou que “os acontecimentos na Ucrânia indicam que não estaremos num lugar seguro nos próximos anos”, referindo ainda que o seu país não pode agir como se não estivesse a ser afetado pela crise na Ucrânia. O responsável do exército chegou pediu ainda a aceleração dos recrutamentos e das aquisições para reforçar o exército.
No norte do continente europeu, a Finlândia e a Suécia, que tradicionalmente têm posturas mais pacifistas, reabriram o debate público sobre o embargo de armas à Ucrânia. A legislação de ambos os países proíbe a exportação de armas para países em guerra ou que violem os diretos humanos. Mas a escalada da situação na Ucrânia reabriu o debate sobre se esta situação poderá representar uma exceção à legislação vigente na Finlândia e na Suécia.












