Como inovar no setor dos vinhos?

Por Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal

O mercado mundial de vinhos encontra-se em constante crescimento, pelo que o fator diferenciação ganha um papel fundamental para captar a atenção do consumidor. Os produtores nacionais já sabem disso e estão um passo à frente a apostar na inovação dos seus vinhos e na recuperação de castas antigas enquanto ingredientes ‘secretos’ para os diferenciar.

O que estamos a sentir é que resulta! Os vinhos portugueses são um sucesso além-fronteiras e o aumento das exportações comprovam-no. Franceses, americanos, britânicos, brasileiros ou alemães são os que mais compram os vinhos portugueses, compram pela qualidade, pelas nossas castas e pelos nossos terroirs, que são completamente díspares de todos os outros.

Hoje, inovar importa (e muito) para captar a atenção do consumidor. A verdade é que vivemos perante uma exigência cada vez maior, seja porque o consumidor está mais atento à origem, às questões de sustentabilidade, mais predisposto à digitalização ou à automatização. E, com uma vasta oferta, quem compra tem mais dificuldade em escolher prontamente. Basta percorrer as prateleiras de um supermercado para percebermos a dificuldade de escolha por parte dos consumidores. Por isso, ser diferente pode ser o gatilho certo para o sucesso de venda.

No entanto, obter confiança é um desafio cada vez mais difícil, como tal, os produtores de vinho estão a adaptar-se às tendências de consumo, a delinear uma transformação digital na sua empresa, a tornarem-se mais sustentáveis desde a produção até à distribuição e a apresentarem os seus produtos ao consumidor com o merecido destaque à origem, onde é possível partilhar, mais do que castas e terroirs, o percurso da garrafa entre a vindima e a mesa do consumidor.

O setor vitivinícola está um passo à frente das tendências porque é atento e resiliente e, desde cedo, soube responder à conjuntura, mas, sobretudo, sempre soube responder aos consumidores mais informados e mais exigentes.

Uma produção sustentável, nas suas vertentes ambiental, económica e social, que inclui a proteção da biodiversidade, que garanta a redução do consumo de água nas adegas ou que calcule a sua pegada de carbono em todo o processo é crucial para quem pretende responder a um consumidor eco-friendly e às gerações vindouras. Por outro lado, temos um consumidor que quer estar próximo da natureza e da origem e que vai valorizar um produto que lhe demonstre confiança e partilhe informação sobre o local da vinha. Hoje, os consumidores querem saber mais sobre o ciclo da uva e sobre o processo do vinho. Mas este tipo de consumidor vai querer mais e talvez até queira participar na próxima vindima, elevando o processo de compra e venda a uma experiência de enoturismo para apreciar a cultura e história daquele vinho em particular. Ainda temos o consumidor de vinho tech, que adora comprar online, tem as apps mais recentes no seu smartphone e vibra com experiências de realidade virtual. Para eles, os produtores têm de estar ON. Seja com o site ou as redes sociais ativas, seja a apostar em influenciadores digitais, seja ao criar tecnologias que os façam viver a vindima. A inovação no mercado dos vinhos tem de ser constante para acompanhar o consumidor que está igualmente em constante mutação.

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