O que faria se ganhasse 17 milhões? Este casal escondeu a resposta dos próprios filhos durante dois anos

Um casal francês ganhou 17 milhões de euros na lotaria e tomou uma decisão pouco habitual: manter o prémio em segredo dentro da própria família até os filhos terminarem os estudos universitários, encontrarem emprego e começarem uma vida independente

Francisco Laranjeira

Durante dois anos, viajaram em primeira classe, ficaram em alojamentos de luxo e começaram a desfrutar discretamente de uma fortuna que lhes tinha mudado a vida.

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Os filhos não sabiam de nada.

Um casal francês ganhou 17 milhões de euros na lotaria e tomou uma decisão pouco habitual: manter o prémio em segredo dentro da própria família até os filhos terminarem os estudos universitários, encontrarem emprego e começarem uma vida independente.

Não foi por desconfiança. Foi precisamente por serem pais.

“Consegue imaginar um jovem a meio da universidade a descobrir de repente que os pais ganharam 17 milhões de euros?”, explicaram, anos mais tarde, ao jornal francês ‘Ouest-France’, numa história recuperada pelo ‘HuffPost’.

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O receio era simples: que saber da existência daquela fortuna alterasse os planos dos filhos antes de estes terem oportunidade de construir o próprio caminho.

E assim começaram dois anos de uma espécie de vida dupla.

Um email que parecia uma fraude

Tudo começou com números que já faziam parte da rotina da família.

O homem, atualmente reformado e que preferiu preservar o anonimato, contou que jogava há mais de 15 anos com os mesmos números escolhidos pela família.

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Até que, há cerca de seis anos, recebeu um email da FDJ United, responsável pelos jogos de lotaria em França.

A primeira reação foi desconfiar.

Pensou que podia tratar-se de uma fraude e recusou-se inicialmente a abrir a mensagem. No dia seguinte, porém, decidiu verificar a conta bancária.

O número que encontrou no ecrã era difícil de processar.

17 milhões de euros.

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A mulher estava ao seu lado e percebeu imediatamente que alguma coisa não estava bem.

“O que se passa? Estás pálido, senta-te”, disse-lhe.

O marido não conseguiu responder. Limitou-se a mostrar-lhe o telemóvel com a aplicação bancária aberta.

Tinham-se tornado milionários.

Primeiro problema: onde colocar 17 milhões?

Passado o choque inicial, apareceu uma preocupação que até então nunca tinham precisado de ter: o que fazer com tanto dinheiro?

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O casal começou por questionar se deveria manter toda a fortuna na instituição bancária que utilizava habitualmente.

Acabou por recorrer a uma entidade especializada na gestão de grandes patrimónios, procurando não apenas proteger o dinheiro como perceber de que forma poderia ser administrado e rentabilizado.

Mas a decisão financeira não foi a mais delicada.

Faltava decidir quem deveria saber.

E os dois concordaram que os filhos ainda não deveriam estar nessa lista.

Dois anos sem contar aos filhos

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O casal decidiu esperar até que os jovens terminassem a universidade, conseguissem emprego e fossem financeiramente independentes.

O medo era que 17 milhões de euros mudassem completamente a relação dos filhos com os estudos e o trabalho.

Por isso, continuaram aparentemente com a mesma vida.

Ou quase.

Quando começaram a viajar sem os filhos, explicavam que iam passar alguns dias a descansar na Riviera Francesa. Mandavam fotografias da praia e das ruas por onde passeavam.

O que não diziam era que tinham viajado em primeira classe.

Nem que, depois de chegarem, podiam escolher alojamentos de luxo.

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Para os filhos, os pais estavam simplesmente a aproveitar umas férias.

Para os pais, cada viagem incluía agora um segredo de vários milhões de euros.

E finalmente disseram-lhes: “Ganhámos 17 milhões”

Dois anos depois, consideraram que tinha chegado o momento.

Os filhos já tinham terminado os estudos, estavam empregados e tinham começado a construir as próprias vidas.

Os pais contaram-lhes a verdade.

E prepararam-se para uma reação difícil.

Não aconteceu.

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Segundo o casal, os filhos aceitaram a notícia com naturalidade. Não ficaram zangados por terem passado dois anos sem saber nem anunciaram que abandonariam imediatamente os empregos.

Em vez disso, foram buscar uma garrafa de champanhe.

Sentaram-se e começaram a discutir em família como deveriam lidar com a nova realidade.

Dessa conversa saiu também uma regra: os companheiros dos filhos não saberiam o montante exato do prémio.

Saberiam apenas que os sogros tinham alcançado uma situação financeira confortável e poderiam ajudar a família caso fosse necessário.

17 milhões na conta, mas com orçamento

Também o casal evitou transformar radicalmente a vida de um dia para o outro.

Quando ganhou o prémio, ambos ainda trabalhavam. Em vez de se despedirem imediatamente, começaram por reduzir progressivamente o horário.

Passaram primeiro a trabalhar quatro dias por semana.

Só mais tarde se reformaram.

Atualmente têm uma casa perto da praia e dizem continuar a viver dos rendimentos que recebem das carreiras profissionais e das reformas, respeitando um orçamento definido previamente.

Naturalmente, os 17 milhões trouxeram privilégios que antes não tinham.

Viajam mais. Podem apoiar associações locais. E ganharam tempo para coisas tão simples como ler os livros que durante anos foram ficando por abrir.

Foi precisamente aí, depois dos milhões, da primeira classe e dos hotéis, que o casal encontrou aquilo que considera ter sido o verdadeiro prémio.

“A maior riqueza não é o dinheiro, mas a liberdade.”

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