Alerta de apagão em Ceuta: Endesa avisa para risco de sabotagem da central elétrica

A instalação de cerca de mil migrantes na zona portuária de Ceuta está a gerar alertas sobre a segurança de infraestruturas críticas da cidade.

Executive Digest

A instalação de cerca de mil migrantes na zona portuária de Ceuta está a gerar alertas sobre a segurança de infraestruturas críticas da cidade. A Endesa e a Petrolífera Dúcar avisam para o aumento do risco de sabotagem numa área onde estão localizados depósitos de combustível essenciais ao funcionamento da central elétrica que abastece toda a cidade.

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Segundo o elEconomista, as duas empresas participaram num alerta enviado à Autoridade Portuária de Ceuta no qual são apontados riscos acrescidos para a segurança e para a resposta a situações de emergência caso avance a ocupação da zona.

A Endesa e a Dúcar dispõem no porto de capacidade para armazenar até 42 mil toneladas de combustível utilizado, entre outros fins, para abastecer a central elétrica.

O documento, enviado a 4 de setembro pelo responsável da Divisão de Assessoria Jurídica da Autoridade Portuária, Ramón Lladó, ao diretor da entidade, é também assinado, entre outros, por Ignacio Sabugal, responsável pela central da Endesa em Ceuta, e Juan Antonio Molina, diretor-geral da Dúcar.

Os signatários defendem que a concentração de uma população vulnerável ou de elevada densidade nas proximidades de uma instalação energética exige uma avaliação particularmente restritiva quando existem localizações alternativas disponíveis. Recordam ainda que a legislação espanhola de Segurança Nacional prevê a proteção das infraestruturas estratégicas e essenciais para garantir o funcionamento dos serviços fundamentais.

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O Governo decidiu, contudo, não ter em conta esta posição.

Autoridade Portuária considera necessário reforçar segurança

Entre os problemas identificados pela Endesa e pela Dúcar estão uma maior complexidade nas evacuações de emergência, o aumento das necessidades de controlo de acessos e de vigilância do perímetro, possíveis interferências com os procedimentos de segurança e proteção física das instalações e uma pressão acrescida sobre os meios disponíveis para responder a incidentes.

Perante a documentação e um pedido da Secretaria de Estado das Migrações, o diretor da Autoridade Portuária de Ceuta, Adolfo Orozco, enviou no mesmo dia um relatório no qual concluiu que a instalação não deveria avançar sem um reforço adequado da segurança.

De acordo com o elEconomista, o documento defende uma presença reforçada das forças de segurança tanto na zona exterior como no interior do Dique de Poniente, assim como a criação de um plano de resposta a situações de risco e a revisão do Plano de Apoio Operacional atribuído ao porto de Ceuta.

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O responsável da Autoridade Portuária considera ainda que não foram tidos em conta os riscos resultantes da transferência dos migrantes para aquela área.

Segundo o relatório, a ocupação aumentaria consideravelmente o risco de sabotagem das instalações, podendo colocar em causa o abastecimento da central elétrica responsável pelo fornecimento de eletricidade a toda a cidade.

Central elétrica depende de combustível transportado por mar

A preocupação está relacionada com as características particulares do sistema energético de Ceuta. Na zona portuária encontram-se algumas das infraestruturas críticas necessárias ao funcionamento da cidade.

A central elétrica da Endesa funciona com combustíveis fósseis e dispõe de aproximadamente 100 MW de potência instalada, distribuída por dez grupos geradores. Nove utilizam motores a diesel e o restante corresponde a uma turbina a gás.

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Esta capacidade é bastante superior à procura máxima da cidade, que geralmente se situa entre 40 e 45 MW, uma vez que o sistema necessita de manter unidades de reserva para responder a eventuais falhas.

Os motores utilizam sobretudo fuelóleo com baixo teor de enxofre, podendo o gasóleo ser usado em determinadas operações e nos equipamentos de arranque. A central não dispõe de gás natural canalizado nem funciona como um ciclo combinado.

O combustível necessário tem, por isso, de chegar a Ceuta por via marítima e ser armazenado na própria cidade. Esta dependência é apontada como um fator adicional de vulnerabilidade perante uma eventual ameaça híbrida.

A Petrolífera Dúcar possui, por sua vez, três tanques com capacidade total para armazenar 36 mil metros cúbicos de produtos petrolíferos destinados ao abastecimento da cidade autónoma.

É neste contexto que o Governo espanhol se prepara para instalar perto de mil migrantes na zona do porto. A Endesa, a Dúcar e a própria Autoridade Portuária defendem que a operação exige medidas adicionais de segurança para reduzir o risco sobre instalações das quais depende o fornecimento de eletricidade a Ceuta.

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