Vale a pena ter seguro de saúde privado?

É das perguntas mais desconfortáveis das finanças pessoais, porque não se responde com uma conta. Um seguro de saúde é, na maior parte dos anos, dinheiro que sai e não volta.

Executive Digest com ComparaJá.pt

É das perguntas mais desconfortáveis das finanças pessoais, porque não se responde com uma conta. Um seguro de saúde é, na maior parte dos anos, dinheiro que sai e não volta. O produto só compensa quando acontece alguma coisa que ninguém quer que aconteça, e é por isso que a decisão se toma quase sempre por sensação e quase nunca por análise.

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Comecemos pelo que é fácil de perceber e difícil de aceitar. Em Portugal existe um Serviço Nacional de Saúde universal que cobre, sem limite de capital, precisamente aquilo que arruína famílias noutros países: um internamento prolongado, uma cirurgia complexa, um tratamento oncológico, uma urgência grave. Nesse terreno, o seguro privado não acrescenta proteção financeira, porque a proteção financeira já existe. O que o seguro compra, na esmagadora maioria dos casos, não é acesso a cuidados. É acesso mais rápido a cuidados, e escolha de quem os presta.

Isso muda a natureza da pergunta. Não se está a comprar segurança contra a ruína, está a comprar-se tempo. E tempo tem valor diferente para cada pessoa. Para quem tem uma condição crónica que exige consultas frequentes de especialidade, a diferença entre esperar três semanas e esperar três meses é real, repetida e mensurável. Para quem tem trinta anos, vai ao médico duas vezes por ano e nenhuma delas com urgência, a mesma apólice paga sobretudo por uma possibilidade remota.

Há um segundo elemento que costuma decidir a questão e que é frequentemente ignorado: a apólice que se contrata aos trinta anos não é a apólice que se vai ter aos sessenta. Os prémios dos seguros de saúde sobem com a idade, e sobem de forma acentuada precisamente na fase da vida em que o produto passa a ser mais útil. Quem entra cedo entra barato e acompanha a subida; quem tenta entrar tarde encontra prémios altos e, sobretudo, exclusões de tudo o que entretanto lhe apareceu. As doenças preexistentes não se seguram, e é nisso que a decisão se torna irreversível: adiar não é manter a opção em aberto, é fechá-la devagar.

Do lado de quem já paga, há um exercício que quase ninguém faz e que devia ser anual. Ler o que a apólice efetivamente cobre, e não o que se assume que cobre. Muitos seguros de saúde em Portugal têm capitais de ambulatório na ordem de alguns milhares de euros por ano, copagamentos por consulta, períodos de carência de vários meses e listas de exclusões que incluem áreas inteiras. Uma pessoa que descobre isto no momento em que precisa descobre-o no pior momento possível.

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O caso mais claro a favor é também o mais simples: quando o seguro vem da empresa. Um seguro de saúde pago ou comparticipado pelo empregador costuma ter condições de grupo que ninguém consegue individualmente, dispensa questionários médicos exigentes e custa ao trabalhador uma fração do preço de mercado. Nesse cenário, a pergunta deixa de ser se vale a pena e passa a ser por que motivo tanta gente não ativa um benefício que já está a pagar em espécie. Vale a pena confirmar se a empresa oferece essa possibilidade antes de comparar apólices no mercado, porque muda completamente as contas.

E o caso mais claro contra é igualmente simples. Uma família que não tem fundo de emergência e que subscreve um seguro de saúde está a proteger-se de um risco que o Estado já cobre em grande medida, enquanto continua exposta ao risco que nenhum Estado cobre, que é ficar sem rendimento. A ordem importa: primeiro a almofada que resolve os problemas prováveis, depois o seguro que resolve os improváveis.

A resposta honesta, portanto, é que depende de três coisas concretas e de mais nada. Da idade a que se entra, porque define o preço de toda a vida. Da frequência com que se usa medicina de especialidade, porque é aí que o produto entrega valor. E de haver ou não uma alternativa de grupo pela empresa, porque essa é quase sempre a melhor que existe.

Quem tiver essas três respostas já sabe o que fazer. Quem não as tiver pode começar por comparar o que o mercado oferece para o seu escalão etário antes de decidir, porque a diferença de prémio entre apólices com coberturas semelhantes é maior do que a maioria das pessoas imagina e é o único elemento da decisão que se resolve numa tarde: uma comparação de seguros de saúde por idade e cobertura resolve essa parte antes de a conversa passar a ser sobre o resto.

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