Sobe, sobe, juro sobe: BCE prepara novo aumento das taxas e não deverá ficar por aqui

A expectativa é partilhada por Michael Krautzberger, Diretor de Investimento Global (CIO) de Mercados Públicos da Allianz Global Investors, Martin Wolburg, Economista Sénior da Generali Investments, e Felix Feather, economista da Aberdeen Investment.

André Manuel Mendes

O Banco Central Europeu (BCE) deverá voltar a subir as taxas de juro esta quinta-feira, 10 de setembro, com os mercados e os economistas a anteciparem um aumento de 25 pontos base, que colocará a taxa de depósito nos 2,5%.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A expectativa é partilhada por Michael Krautzberger, Diretor de Investimento Global (CIO) de Mercados Públicos da Allianz Global Investors, Martin Wolburg, Economista Sénior da Generali Investments, e Felix Feather, economista da Aberdeen Investment.

Para Krautzberger, a decisão será amplamente antecipada pelos mercados e deverá ser acompanhada por uma revisão em alta das previsões de crescimento. O BCE poderá elevar em 0,1 pontos percentuais as projeções para o PIB, para 0,9% em 2026 e 1,3% em 2027, refletindo a maior solidez da economia e a melhoria dos indicadores de confiança.

Já no que diz respeito à inflação, o BCE poderá reduzir a previsão para 2026 em 0,2 pontos percentuais, para 2,8%, mas aumentar em 0,3 pontos percentuais a projeção para 2027, para 2,6%. A evolução deverá refletir, entre outros fatores, a subida dos preços do gás e a debilidade do euro, que poderão transmitir-se à inflação de forma mais gradual.

Neste contexto, os especialistas esperam um BCE com um discurso mais duro. Felix Feather considera que a subida de 25 pontos base para 2,5% é praticamente certa, sendo a principal questão para os mercados perceber se a decisão representa mais um passo num ciclo prolongado de subida de juros ou se o BCE pretende manter total flexibilidade.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

O economista da Aberdeen considera provável que o BCE mantenha uma comunicação hawkish, perante uma economia da Zona Euro mais resiliente do que o esperado, preços elevados da energia e sinais de maiores pressões salariais. A instituição deverá também rever em alta as suas previsões de crescimento, uma vez que o impacto económico do conflito com o Irão terá sido inferior ao inicialmente estimado.

Martin Wolburg antecipa igualmente uma subida de 25 pontos base, apontando para os riscos de uma nova escalada do conflito no Irão e para os potenciais efeitos de segunda ordem sobre os salários. Ao mesmo tempo, os dados mais recentes indicam que a expansão económica permanece intacta e está a alargar-se a mais setores.

 

Pode chegar mais uma subida até dezembro

Apesar do tom mais restritivo, os especialistas não esperam necessariamente o início de um novo ciclo agressivo de subidas. Para Wolburg, uma entrada em território restritivo deverá ser sobretudo uma medida de gestão de risco e não o início de um novo ciclo de aperto monetário.

Continue a ler após a publicidade

Depois da subida para 2,5%, poderá seguir-se um período prolongado de manutenção das taxas, caso a inflação subjacente continue a aliviar, as pressões salariais permaneçam controladas e não se materializem efeitos de segunda ordem significativos do choque energético.

Ainda assim, Michael Krautzberger considera provável uma nova subida de 25 pontos base em dezembro. A combinação entre previsões de inflação mais elevadas e uma postura vigilante do BCE deverá manter baixa a fasquia para novos aumentos depois de setembro.

Christine Lagarde deverá, por isso, manter a mensagem de que o BCE continuará dependente dos dados e a decidir reunião a reunião, sem se comprometer com uma trajetória para as taxas de juro.

Para os mercados financeiros, contudo, o impacto da decisão de setembro poderá ser limitado, uma vez que a subida de 25 pontos base já estará em grande medida incorporada nas cotações. A principal atenção deverá, assim, concentrar-se no tom da comunicação de Lagarde e, sobretudo, nos sinais deixados pelo BCE sobre o que poderá acontecer depois de setembro.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.