Especialista chinês alerta que IA não pode substituir médicos

O principal especialista médico e epidemiologista chinês, Zhong Nanshan, afirmou hoje que a inteligência artificial (IA) não pode substituir os médicos, uma vez que os doentes sempre necessitarão do julgamento clínico de profissionais humanos.

Executive Digest com Lusa

O principal especialista médico e epidemiologista chinês, Zhong Nanshan, afirmou hoje que a inteligência artificial (IA) não pode substituir os médicos, uma vez que os doentes sempre necessitarão do julgamento clínico de profissionais humanos.

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“Algumas pessoas, incluindo figuras como Jack Ma [fundador da gigante chinesa do comércio eletrónico Alibaba], disseram que haverá cada vez menos médicos no futuro”, afirmou Zhong.

“Isso está errado. A IA pode auxiliar, mas não pode substituir os médicos, o julgamento clínico ou a empatia que definem um bom médico”, acrescentou o epidemiologista, que se tornou conhecido durante a pandemia de covid-19.

O especialista de 89 anos, que é também diretor do Laboratório Conjunto China-Portugal em Inteligência Artificial e Tecnologias de Saúde Pública, falava durante um evento académico na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Zhong reconheceu que a IA pode ser útil para a aprendizagem profunda e análise de dados, nomeadamente para ajudar a classificar sintomas de ansiedade, doenças físicas ou sofrimento emocional, “especialmente em jovens que podem reagir mal quando pressionados pelos pais ou quando enfrentam pressão escolar”.

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No entanto, alertou contra uma dependência excessiva da tecnologia: “A IA não pode substituir os médicos no que diz respeito à saúde mental”. “O que se passa na sua mente? A IA não sabe isso. Isso requer julgamento humano e compaixão humana”, sublinhou.

“Não sou favorável a confiar inteiramente na IA para resolver tudo”, afirmou o especialista, enfatizando que “muitas competências básicas devem ser dominadas por si próprio. Só depois de as dominar é que poderá saber como usar a IA.”

As declarações surgem duas semanas depois de o cientista chinês Zhang Zhiguo ter anunciado o desenvolvimento de robôs integrados com IA, concebidos para ajudar a tratar a depressão, combinando a análise de sinais cerebrais com modelos de linguagem de grande escala.

Durante um evento na MUST, Zhong partilhou exemplos bem-sucedidos de aplicações de IA em cirurgia clínica, mas alertou que integrar a IA com a medicina tradicional chinesa (MTC) apresenta desafios significativos.

“A MTC não tem padrões absolutos”, explicou. “Diferentes escolas de pensamento e diferentes profissionais experientes podem ter opiniões diferentes sobre a mesma condição. Alguns podem chamar-lhe ‘humidade-calor’, outros ‘humidade-vento’, outros ‘humidade-frio’. É muito difícil estabelecer um padrão único”, sublinhou.

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Zhong notou que colegas em Pequim estão a usar IA para analisar métodos de diagnóstico da MTC, como examinar diferentes partes do olho para detetar doenças nos órgãos.

Os primeiros resultados têm sido promissores — nalguns casos, a análise por IA detetou risco de diabetes antes do diagnóstico convencional –, mas Zhong sublinhou que este continua a ser “um longo processo que requer colaboração de ambos os lados.”

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