Um reformado de 78 anos conseguiu recuperar a sua casa, ocupada ilegalmente, após recorrer a uma estratégia simples mas eficaz. O caso ocorreu em Romainville, na região de Seine-Saint-Denis, em França, e foi revelado pelo Le Parisien, que detalha como um arrendamento temporário se transformou numa ocupação prolongada.
Segundo o Le Parisien, o proprietário tinha colocado a habitação em arrendamento de curta duração através de uma plataforma online, com o objetivo de financiar obras. A reserva foi feita por uma mulher, identificada como Amanda, nome fictício, que alugou o imóvel por três noites. A hóspede apresentava perfil validado, boas avaliações e chegou acompanhada do parceiro, ambos bem apresentados e com documentação em ordem, incluindo um passaporte brasileiro. Nada levantou suspeitas.
No dia previsto para a saída, a mulher informou o reformado de que não abandonaria o imóvel. Tinha já substituído as fechaduras e transferido o contrato de eletricidade para o seu nome, criando uma situação de aparente legitimidade e dificultando qualquer intervenção imediata. Incapaz de entrar em casa, o proprietário apresentou queixa à polícia.
Enquanto aguardava pelas autoridades, o reformado regressou ao edifício e manteve-se atento aos movimentos. Quando um dos ocupantes saiu, aproveitou para bloquear o acesso ao prédio, impedindo o regresso desse indivíduo. Seguiu-se um confronto físico entre ambos, que terminou com a chegada da polícia. A identificação dos intervenientes confirmou o direito de propriedade do reformado, permitindo-lhe reentrar na sua própria casa acompanhado pelos agentes.
Ao entrar no interior, constatou que todos os documentos e objetos pessoais tinham desaparecido. O ocupante ainda presente foi detido e verificou-se que conduzia um veículo roubado. A hóspede inicial desapareceu e continua em fuga. A casa acabou por ser devolvida ao dono sem necessidade de um processo judicial longo.
O proprietário reforçou posteriormente a segurança da habitação, investindo cerca de 3.500 euros na substituição das fechaduras, valor parcialmente compensado pela plataforma de alojamento.
O Le Parisien recorda que situações semelhantes têm ocorrido noutras regiões de França. Uma residente de Arcachon, também vítima de ocupação, chegou a lançar uma petição para exigir que fornecedores de água, eletricidade e telecomunicações solicitem prova de arrendamento ou propriedade antes de abrirem contratos, uma vez que estes documentos são frequentemente usados pelos intrusos para aparentar legitimidade.
Este caso evidencia como a rapidez na denúncia e a apresentação de prova documental podem ser decisivas para travar ocupações ilegais e recuperar um imóvel sem litígios prolongados.













