Os piores erros que pode cometer durante a época das constipações e da gripe, segundo os médicos

Com a chegada do outono e o regresso do ar fresco, dos casacos quentes e das folhas caídas, chega também uma nova vaga de constipações e de gripe.

Pedro Zagacho Gonçalves

Com a chegada do outono e o regresso do ar fresco, dos casacos quentes e das folhas caídas, chega também uma nova vaga de constipações e de gripe. De acordo com Andrew Fleming, chefe da secção de doenças infeciosas e imunologia da Universidade de Nova Iorque Langone Brooklyn, é quase inevitável entrar em contacto com pelo menos um dos vírus respiratórios mais comuns durante esta época. O médico sublinha que um sistema imunitário bem cuidado pode impedir que a infeção se instale, reforçando que o descanso, a nutrição e a higiene desempenham um papel determinante.

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Para a diretora clínica do National Jewish Health, Carrie Horn, embora a maioria das pessoas recupere bem de uma constipação ou de uma gripe, estas doenças podem ser fatais para outros, especialmente os mais vulneráveis. Acrescenta ainda que mesmo pessoas jovens e saudáveis podem desenvolver complicações graves, como pneumonia, a partir de uma simples constipação. Por isso, agir com consciência e respeito pelos outros não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de civismo. Jackie Vernon-Thompson, fundadora da From the Inside-Out School of Etiquette, defende que a atenção à saúde nesta época é também uma demonstração de boa educação, lembrando que nunca sabemos o impacto que um vírus pode ter noutra pessoa e que cuidar dos outros é uma forma prática de gentileza.

Negligenciar o descanso
Um dos erros mais comuns é tentar resistir aos sintomas e continuar a rotina normal. A médica de medicina interna Nora Tossounian, do Hackensack Meridian Health, explica que o sistema imunitário precisa de muita energia para combater uma infeção e que privar o corpo de sono e descanso compromete gravemente essa capacidade. Fleming recorda que diversos estudos mostram que a privação de sono reduz a eficácia dos mecanismos de defesa contra vírus e cita uma investigação segundo a qual as pessoas que dormem menos de sete horas por noite têm quase três vezes mais probabilidade de apanhar uma constipação do que aquelas que dormem oito horas ou mais. A médica Neha Pathak, editora-chefe de medicina e estilo de vida da WebMD, acrescenta que, quando o corpo está exausto, fica naturalmente mais vulnerável a doenças.

Sair de casa estando doente

Ir trabalhar, às compras ou a eventos sociais quando se tem febre, tosse, dores no corpo ou nariz entupido é um dos comportamentos mais irresponsáveis durante esta época, alerta o médico de família Michael Richardson. Segundo Carrie Horn, quem apresenta sintomas deve permanecer em casa, a menos que seja absolutamente necessário sair, uma vez que as doenças virais são altamente contagiosas. No caso das crianças, Richardson sublinha que, mesmo que seja inconveniente, é essencial mantê-las em casa quando têm febre, podendo regressar à escola apenas 24 horas depois de esta desaparecer. O médico explica que é muito difícil evitar a transmissão em ambiente escolar e que esta medida é essencial para travar a propagação.

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Esquecer a lavagem das mãos
A médica Neha Pathak recorda que os germes se propagam com grande facilidade das superfícies para as mãos e destas para o rosto. Por isso, negligenciar a lavagem das mãos é um erro grave, sobretudo nesta altura do ano. Já Carrie Horn reforça que este simples gesto é uma das formas mais eficazes de evitar ficar doente e recomenda que se lave sempre as mãos antes de comer e depois de tocar em objetos em locais públicos.

Ignorar a nutrição e a hidratação
A médica Nora Tossounian alerta que uma alimentação pobre e a desidratação fragilizam o organismo, impedindo-o de montar uma resposta imunitária eficaz. Segundo a especialista, o corpo precisa de vitaminas, minerais e líquidos provenientes de uma dieta saudável, e não dos efeitos inflamatórios dos alimentos processados e açucarados. Carrie Horn acrescenta que é crucial manter-se hidratado, especialmente quando se está doente, enquanto Andrew Fleming recorda que o consumo excessivo de álcool, quer ocasional quer regular, suprime o sistema imunitário e aumenta a suscetibilidade a vírus respiratórios.

Tocar frequentemente no rosto
Outro hábito perigoso é tocar constantemente no rosto, sobretudo sem lavar as mãos. Nora Tossounian explica que os vírus entram no corpo através das mucosas dos olhos, do nariz e da boca, sendo as mãos o principal veículo de transmissão. Carrie Horn recomenda reduzir ao mínimo este comportamento e, sempre que possível, lavar as mãos antes ou depois de tocar no nariz ou na boca.

Esquecer a etiqueta ao tossir e espirrar
A médica de família Sarah Dupont, da Universidade de Emory, lembra que pequenos gestos fazem uma grande diferença, como cobrir a tosse e deitar fora os lenços usados. Andrew Fleming sublinha que mesmo quem não tem a certeza de estar doente deve cobrir a tosse ou o espirro com o cotovelo e lavar as mãos de seguida. Já Jackie Vernon-Thompson lembra que, em casa, é importante desinfetar frequentemente as superfícies para reduzir o risco de contágio entre familiares, algo que muitas vezes é esquecido.

Ignorar a vacinação
A médica Sarah Dupont adverte que não se deve ignorar a vacina da gripe, considerando-a a melhor forma de prevenir a doença ou reduzir a sua gravidade. Michael Richardson reforça que as vacinas são seguras, oferecem proteção adicional e reduzem tanto a duração como a intensidade dos sintomas. O médico recomenda ainda a vacinação contra a COVID-19, sobretudo em adultos com doenças crónicas, lembrando que, embora os casos mais graves sejam agora menos comuns, a COVID continua a ser debilitante, especialmente para quem sofre de asma ou outras doenças respiratórias.

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Desvalorizar o uso de máscara e a higiene em público
Para Carrie Horn, quem precisa de sair enquanto está doente deve usar máscara para reduzir o risco de contágio. As pessoas com o sistema imunitário mais frágil devem também considerar o uso de máscara em locais públicos durante a época das constipações e da gripe. Jackie Vernon-Thompson recorda que nem todos têm a possibilidade de faltar ao trabalho, mas explica que é possível minimizar os riscos tomando medicação, lavando as mãos com frequência, avisando colegas para manterem distância e evitando partilhar alimentos ou utensílios. Sarah Dupont acrescenta que, se estiver doente, deve evitar visitar familiares mais velhos e, caso seja inevitável, usar máscara, evitar beijos e abraços e privilegiar locais bem ventilados. Vernon-Thompson sugere ainda substituir o aperto de mão por um gesto mais seguro, colocando a mão sobre o coração, acenando ligeiramente e cumprimentando verbalmente de forma cordial.

Não procurar ajuda médica quando não há melhorias
Carrie Horn aconselha a procurar um médico caso a febre dure mais de três dias, surjam dificuldades respiratórias ou existam doenças crónicas que possam agravar-se com uma infeção viral. Explica que existem medicamentos antivirais para tratar a gripe e a COVID que são mais eficazes quando administrados nos primeiros dias da doença, ajudando a encurtar a duração dos sintomas e sendo especialmente importantes para pessoas imunodeprimidas ou com condições de risco.

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