Um dos maiores julgamentos da máfia de sempre em Itália começou esta quarta-feira. Mais de 350 suspeitos e cúmplices, incluindo políticos, funcionários públicos, policias e empresários, enfrentam uma série de acusações, tais como extorsão, tráfico de droga e roubo.
O caso visa o clã ‘Ndrangheta, sediado na Calábria (a região mais pobre da Itália), considerado pelos procuradores o grupo mafioso mais poderoso do país, ultrapassando facilmente o mais famoso gang da Cosa Nostra, na Sicília.
O julgamento está a decorrer num edifício de call-centre, que foi convertido e fortificado, na cidade de Lamezia Terme, na Calábria. Foram montadas filas de secretárias para as centenas de advogados, procuradores, jornalistas e espetadores esperados.
Muitos dos acusados são advogados, contabilistas, empresários, políticos locais e polícias, que o procurador-geral italiano Nicola Gratteri, também natural de Calábria, diz ter ajudado de bom grado o clã ‘Ndrangheta na construção do seu império da máfia.
“Nos últimos dois anos, assistimos a um surto de processos judiciais de empresários e cidadãos oprimidos, pessoas que durante anos viveram sob as ameaças de ‘Ndrangheta'”, disse o procurador que passou mais de 30 anos a combater a máfia, citado pela agência Reuters.
O Estado convocou 913 testemunhas e vai recorrer a 24.000 horas de conversas intercetadas para apoiar as acusações. O procurador-geral Gratteri espera que o julgamento leve um ano a concluir, devendo o tribunal reunir-se seis dias por semana.
A última vez que a Itália julgou centenas de alegados mafiosos simultaneamente foi em 1986, em Palermo, num caso que representou um ponto de viragem na luta contra a Cosa Nostra, marcando o início do declínio do grupo mafioso.
Esse julgamento teve um enorme impacto porque visou várias famílias mafiosas. Agora, este julgamento centra-se principalmente num único grupo – a família Mancuso – deixando intocada grande parte da hierarquia superior de ‘Ndrangheta.














