A análise de João Pinto, Dean da Católica Porto Business School
Num contexto ainda marcado por incerteza, os dados sugerem uma nota de cautela, mas não de retração. As empresas continuam a investir, privilegiando ajustamentos moderados ou manutenção, o que revela uma leitura prudente do enquadramento, sem perda de confiança estrutural.
A Inteligência Artificial começa, entretanto, a produzir efeitos mensuráveis, ainda que graduais. Os ganhos observados são maioritariamente incrementais, confirmando que não estamos perante uma rutura imediata, mas antes um processo de adoção progressiva, onde prevalece a experimentação informada. Neste quadro, a prioridade estratégica mantém-se essencialmente inalterada: crescer. A expansão de mercado continua a dominar as decisões, acima de agendas mais instrumentais, como a eficiência ou a própria digitalização. A tecnologia surge, assim, como meio e não como fim.
O desafio desloca-se, por isso, para a capacidade de integrar estas ferramentas em decisões de gestão com impacto mensurável, assegurando simultaneamente critérios de utilização responsável. Neste plano, as organizações começam a procurar cada vez mais talento que combine competências técnicas com a capacidade de incorporação da Inteligência Artificial de forma ética, consistente e sustentável.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.














