Presente no Brasil há mais de duas décadas, a EDP tem um profundo entendimento da complexidade daquele mercado. É o maior investidor português no país e planeia todos os passos pensando a prazo. «Entre 2016 e 2018, encerrámos um ciclo de construção e entrega de centrais hidroeléctricas, desfizemo-nos de alguns activos, num processo de reciclagem de capital, e iniciámos uma nova etapa, focada no crescimento das redes reguladas. Temos investido anualmente cerca de 600 milhões de reais em melhoria e expansão das redes de Distribuição e temos um investimento total de 3,8 mil milhões de reais – iniciado em 2017 e a ser concluído em 2022 – no segmento de Transmissão, onde temos 1441 km de linhas em projectos contratados para entregar até 2022», explica Miguel Setas, presidente da EDP Brasil.
Procuram também manter uma atitude pioneira e de inovação em mais áreas que vão ganhar muito espaço no Brasil nos próximos anos – uma delas é a da geração solar. Num país continental e com intensa exposição solar, esta é uma fonte com potencial de crescimento. Desde 2017, a EDP já negociou 58,9 MWp em projectos de energia solar – 28,1 MWp já instalados e 30,8 em desenvolvimento e desenvolveram parques solares para clientes como o Banco do Brasil, o Grupo Globo e a Claro.
Outra área em que têm sido pioneiros é a da mobilidade eléctrica, eixo da estratégia do Grupo EDP para todas as 19 geografias em que está presente. Ao todo, estão a executar um investimento de cerca de 50 milhões de reais em projectos de mobilidade eléctrica no Brasil. O principal projecto é a primeira e maior rede de carregamento ultrarrápido de veículos eléctricos da América do Sul, uma iniciativa liderada pela EDP com a parceria de grandes marcas como Audi, Porsche ou Volkswagen. Serão 30 novas estações de carregamento (150kw e 350kw), capazes de abastecer 80% da bateria de um carro entre 25 e 30 minutos, cobrindo todo o estado de São Paulo. Os postos de abastecimento eléctrico vão conectar 64 pontos de carregamento no país, interligando a cidade de São Paulo a outras áreas urbanas e criando um grande corredor interestadual de abastecimento de veículos eléctricos com cerca de 2500 km de extensão. Até ao final de 2020, terão as 10 primeiras estações concluídas.
Em 2020, a EDP teve a honra de anunciar que encerrou 2019 com os melhores resultados pelo segundo ano consecutivo. No último ano, o investimento da EDP no Brasil também já tinha sido o maior de sempre na história da empresa – 2,818 mil milhões de reais, o que representou um crescimento de 149% face a 2018. Além desse investimento recorde, houve outros factores que contribuíram para os bons resultados: melhorias no segmento de Distribuição, com destaque para as revisões tarifárias das duas distribuidoras; avanços no segmento de Transmissão, com excelência na execução das obras; mitigação do risco energético através da gestão integrada da Geração e Comercialização; e ampliação da presença na área de serviços de energia, com a entrega de projectos de energia solar para grandes clientes. Tudo isto mantendo uma cultura forte, comprometida com a inovação, a sustentabilidade e a responsabilidade social.
Redes
Actualmente, o segmento de redes reguladas é o que recebe mais investimentos da EDP no Brasil, tanto na Distribuição como na Transmissão. Só na Distribuição, no último ano, investiram 647 milhões de reais nos 28 municípios da área de concessão no estado de São Paulo e nos 70 municípios atendidos no estado do Espírito Santo. Nesse segmento, além das obras de expansão e melhorias das redes e subestações, destaca-se a inauguração, em 2019, do primeiro sistema autónomo para monitorização e análise de redes eléctricas no país. A operação consiste na disponibilização de drones de última geração para inspecção dos activos de energia nas áreas de Distribuição e Transmissão da companhia no Espírito Santo. Além disso, iniciaram no Espírito Santo o projecto de Smart Grids, o InovGrid: até ao fim deste ano serão instalados 37 mil contadores inteligentes. No primeiro trimestre de 2021, serão mais 18 mil. O investimento nesta fase é de 52,6 milhões de reais. Comprovados os benefícios operacionais e qualitativos, poderão alargar a abrangência do projecto para 1,2 milhões de clientes nas duas distribuidoras da EDP no Brasil, a partir de 2021, com um investimento total de 643 milhões de reais.
Na Transmissão já investiram 2,7 mil milhões do total de 3,8 mil milhões de reais programados até 2022 para construir mais de 1,4 mil km de linhas e de seis subestações nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Espírito Santo. Já entregaram, de forma antecipada, dois lotes. O lote 24, no estado do Espírito Santo, foi concluído em Dezembro de 2018 com 20 meses de antecipação. Já o lote 11, no Maranhão, foi concluído em Agosto deste ano, o que permitiu antecipar em 12 meses o início da operação do empreendimento, sendo que o primeiro trecho já estava em operação comercial desde Janeiro, com 19 meses de antecedência em relação ao calendário da Agência Nacional de Energia Eléctrica (Aneel), o órgão regulador do sector.
Portefólio
A EDP actua em toda a cadeia do sector eléctrico brasileiro. As distribuidoras, EDP São Paulo e EDP Espírito Santo, atendem 3,5 milhões de clientes localizados em 98 municípios dos estados de São Paulo e Espírito Santo, numa área de concessão com cerca de 51 mil km2. O volume de energia distribuída foi de 25,6 TWh em 2019, um crescimento de 2,34% face a 2018. A EDP é também a principal accionista da Celesc, distribuidora do estado de Santa Catarina.
«Temos seis barragens em operação: Lajeado, Peixe Angical, Mascarenhas, Santo António do Jari, Cachoeira Caldeirão e São Manoel, além da Central Termoeléctrica de Pecém. Juntas, possuem uma capacidade instalada de 2,9 GW, sendo 75% provenientes de fontes renováveis. As centrais hidroeléctricas de Peixe Angical e Lajeado foram, aliás, consideradas as duas melhores do Brasil num ranking do órgão regulador brasileiro, a Aneel, após avaliação de 148 hidroeléctricas na campanha de fiscalização realizada em 2019 e 2020. A barragem de Peixe Angical obteve pontuação máxima em cinco dos seis tópicos listados: meio ambiente, segurança, gestão da operação, gestão da manutenção e operação e manutenção», afirma Miguel Setas.
As actividades no segmento de Transmissão foram iniciadas em 2016 e hoje possuem seis lotes, totalizando 1,4 mil km de linhas de transmissão – entregues ou em construção. E, por meio da EDP Smart, a área de Soluções em Energia, comercializam energia no mercado livre e negoceiam projectos de geração solar, eficiência energética, mobilidade eléctrica e outros serviços B2C em todo o território brasileiro. Em 2019, foram a empresa com o maior volume de energia comercializado no País, com um volume médio de 3.436,49 MW/mês, superando em mais de 10% a segunda colocada. O montante chegou a 18MWm/ano.
Expectativas
A EDP acredita que, passado o pico e o pior momento da COVID-19, o Brasil poderá retomar o rumo do crescimento. Trata-se de uma economia resiliente, com imensos recursos e grande capacidade de recuperação. «Por isso, continuamos a ter planos de longo prazo para o país, com investimentos consistentes em Distribuição, de forma a melhorar continuamente o nosso serviço, e concluindo os nossos lotes de transmissão dentro do custo e prazos acordados, mantendo a excelência pela qual a EDP se tornou reconhecida no país. Temos trabalhado para aumentar a nossa presença também no segmento B2C, consolidando a EDP Smart e toda a gama de serviços oferecidos de geração solar, eficiência energética e mobilidade eléctrica», sublinha o presidente da EDP Brasil.
Ao mesmo tempo, o balanço do primeiro ano da EDP Smart é muito positivo. A facturação em 2019 foi de 76,3 milhões de reais, com EBITDA de 13,2 milhões, um aumento de 95,2% em relação ao ano anterior. Até ao fim de 2024, a empresa espera que esta área de negócio seja responsável por cerca de 10% do EBITDA do grupo no Brasil. «Na área comercial, temos como estratégia avançar pelo meio digital, uma vez que o Brasil possui dimensão continental. Por isso, remodelámos toda a plataforma de e-commerce com um investimento de cerca de 5,5 milhões de reais e passámos a oferecer a possibilidade de compra de produtos por meio de um processo 100% digital, com capacidade para chegar a todo o país. A expectativa é que pelo menos 30% das vendas ocorram por meio da plataforma, podendo chegar a 100% em determinadas linhas de negócio. Temos uma meta de atingir mais de 10 mil vendas de todos os produtos por meio deste canal», diz Miguel Setas.
No Brasil, a EDP é também referência em áreas como Inovação, Governança e Sustentabilidade, estando há 14 anos consecutivos no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. Uma das iniciativas mais recentes e emblemáticas da EDP nesse campo foi assumir com a Organização das Nações Unidas (ONU) o compromisso de garantir que, até 2030, 100% da energia gerada pela Companhia na Brasil será de origem renovável. Isso foi feito por meio da adesão ao Business Ambition for 1,5ºC – Our Only Future. Além disso, aderiu ao Recover Better, uma iniciativa global que propõe a governos e empresas de todo o mundo alinhar seus esforços de recuperação e ajuda económica relacionados com a crise da COVID-19 com base nos mais recentes estudos climáticos. Noutra frente, tem o compromisso de disponibilizar produtos e serviços de eficiência energética para reduzir em 100 GWh o consumo de energia dos clientes, face ao contabilizado em 2014. A EDP também subscreve uma série de iniciativas nacionais e internacionais ligadas à sustentabilidade, com destaque para o Pacto Global da ONU; o Programa Brasileiro GHG Protocol, iniciativa empresarial para contabilização de gases de efeito de estufa; e o Carbon Disclosure Project (CDP), relacionado com alterações climáticas.













