A campanha de imunização sazonal contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em idade pediátrica arranca em Portugal a 16 de setembro e prolonga-se até 31 de março de 2027. A estratégia passa a ter caráter universal para as crianças que vão enfrentar a sua primeira época sazonal de infeção pelo vírus e é gratuita e voluntária.
A nova campanha está definida pela Direção-Geral da Saúde (DGS) através da Norma n.º 004/2026, de 2 de setembro, e prevê diferentes grupos abrangidos, consoante a data de nascimento das crianças, a prematuridade e a existência de fatores de risco para doença grave.
Bebés nascidos a partir de 16 de setembro serão imunizados na maternidade
Para os bebés nascidos entre 16 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027, a imunização contra o VSR será administrada logo ao nascimento. A DGS recomenda que seja feita, preferencialmente, nas primeiras 24 a 48 horas de vida, ainda durante a permanência na maternidade.
A medida resulta do alargamento universal da estratégia de imunização contra o vírus sincicial respiratório e significa que todas as crianças saudáveis nascidas a partir de 1 de abril de 2026 passam a estar abrangidas durante a sua primeira época sazonal de infeção.
A campanha pretende, desta forma, garantir proteção durante o primeiro período de maior circulação do VSR, uma fase particularmente relevante devido à possibilidade de o vírus provocar doença respiratória grave nos bebés.
Haverá uma campanha de repescagem para crianças nascidas desde abril
As crianças que nasceram entre 1 de abril e 15 de setembro de 2026 também serão abrangidas, mas através de uma fase específica de repescagem.
Esta campanha decorre entre 16 de setembro e 30 de outubro e será realizada nos cuidados de saúde primários. O objetivo é assegurar que estas crianças, apesar de terem nascido antes do início da nova campanha, também recebem proteção antes ou durante a sua primeira época sazonal de infeção por VSR.
A repescagem inclui ainda um grupo específico de crianças pré-termo. São abrangidas as crianças com idade gestacional até 33 semanas e seis dias que tenham nascido entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, desde que não tenham sido previamente imunizadas.
Crianças com doenças ou fatores de risco também podem receber a imunização
A estratégia definida pela DGS não se limita às crianças que vão enfrentar a primeira época de infeção. A campanha contempla igualmente crianças que entrem na sua segunda época sazonal de VSR e que apresentem fatores de risco acrescido para desenvolver doença grave.
Para este grupo, existe uma condição adicional: as crianças não podem ter completado 24 meses de idade até 30 de setembro de 2026.
Entre as situações consideradas pela DGS estão cardiopatias significativas, hipertensão pulmonar moderada ou grave, displasia broncopulmonar e doença pulmonar crónica. A norma contempla também doença neuromuscular com compromisso respiratório, algumas imunodeficiências, doenças hematooncológicas e fibrose quística, entre outras condições clínicas.
Nestes casos, a administração da imunização pode ocorrer nos cuidados de saúde primários ou em contexto hospitalar, de acordo com os critérios definidos pela Direção-Geral da Saúde.
Nirsevimab é o anticorpo utilizado na campanha
A proteção contra o vírus sincicial respiratório será assegurada através do nirsevimab, um anticorpo monoclonal disponibilizado para a campanha de imunização sazonal de 2026-2027.
Segundo a DGS, a proteção proporcionada pelo medicamento tem uma duração de pelo menos cinco a seis meses, permitindo cobrir um período significativo da época de maior circulação do vírus.
A estratégia assenta, assim, na administração de uma proteção específica contra o VSR durante o período em que as crianças apresentam maior risco de exposição ao vírus, com critérios diferentes consoante a idade e o perfil clínico.
Uma infeção anterior não impede a imunização
A existência de uma infeção anterior pelo vírus sincicial respiratório não constitui, por si só, um impedimento à administração do nirsevimab.
A DGS esclarece que uma criança pode voltar a ser infetada pelo VSR, uma vez que a infeção natural não garante uma proteção completa e prolongada contra novas infeções. Por esse motivo, uma infeção anterior não exclui automaticamente as crianças dos grupos abrangidos pela estratégia definida para 2026-2027.
A campanha será gratuita e voluntária e decorrerá ao longo de toda a época sazonal definida pela DGS, entre 16 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027, com o objetivo de proteger os bebés na primeira época de infeção e as crianças mais vulneráveis durante a segunda época de circulação do vírus.














