Jair Bolsonaro completou ontem 500 dias de liderança à frente do destino do Brasil. A data ficou marcada por mais uma crise, desta feita o pedido de demissão de Nelson Teich, que mostrou vontade de deixar a cadeira de ministro da Saúde por não concordar com a forma como o país está a lidar com o novo coronavírus.
O presidente do Brasil já estará, porém, habituado a lidar com situações deste tipo, uma vez que há cerca de um mês passou precisamente pelo mesmo cenário: Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde na altura, demitiu-se pelas mesmas razões.
Somam-se ainda outras polémicas como os incêndios na Amazónia, as tensões com o presidente francês ou os contornos suspeitos das candidaturas do PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito em Outubro de 2018. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, os 500 dias na presidência renderam pelo menos uma crise a cada 50 dias.
Uma das mais faladas diz respeito à Polícia Federal. Em Agosto do ano passado, em antecipação da crise que levaria o ministro da Justiça Sergio Moro a apresentar o pedido de demissão, Jair Bolsonaro ignorou as chefias deste organismo e anunciou a substituição do superintendente do Rio de Janeiro. Justificou a decisão com questões de gestão de produtividade.
Também em Agosto de 2019 teve lugar uma das principais crises ambientais a nível global: sem provas, Jair Bolsonaro acusou organizações não governamentais (ONG) de estarem por detrás dos incêndios na Amazónia. Acusou ainda o actor Leonardo DiCaprio estar a financiar essas mesmas organizações.
«O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. (…) DiCaprio tá colaborando aí com a queimada, asim não dá», afirmou na altura o presidente, segundo recorda o Folha de São Paulo.
O jornal brasileiro destaca ainda outras polémicas, nomeadamente a indicação do nome de Jair Bolsonaro por um porteiro do condomínio onde o presidente tem casa relativamente à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Jair Bolsonaro negou o envolvimento e o porteiro veio, mais tarde, dizer que se tinha enganado.
Meses depois, em Fevereiro deste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro veio confirmar que o porteiro que entrou em contacto com um dos acusados do crime não é o mesmo que prestou depoimento e citou o nome do presidente.
Em Janeiro deste ano, mais uma crise: a demissão do secretário da Cultura, Roberto Alvim, por entre uma onda generalizada de repúdio a um discurso em que parafraseou Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda Alemã nazi. «A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional», afirmou o secretário.













