Um soldado russo terá passado coordenadas da sua própria unidade às forças ucranianas durante semanas, contribuindo para ataques que provocaram cerca de 150 mortos e dezenas de feridos. A informação é avançada pelo site ‘Militarnyi’, com base num testemunho divulgado numa entrevista.
O militar, de apenas 19 anos e natural de Novosibirsk, foi inicialmente recrutado para o serviço obrigatório enquanto frequentava a universidade. Posteriormente assinou um contrato com a expectativa de seguir formação militar, mas acabou destacado para uma zona de combate.
De operador de drones a fonte de informação
Integrado na 150ª Divisão de Fuzileiros Motorizados e posteriormente no 102º Regimento, o jovem foi colocado como operador de drones — função para a qual afirma não ter recebido formação adequada.
Foi nesse contexto que estabeleceu contacto com o lado ucraniano, através do projeto “I Want to Live”, inicialmente criado para incentivar rendições de militares russos.
No entanto, segundo o ‘Militarnyi’, o soldado decidiu ir mais longe: durante cerca de 80 dias, transmitiu informações detalhadas sobre posições, equipamento e rotas das tropas russas.
Informação em tempo quase real
Os dados eram enviados com um atraso mínimo — entre 10 e 15 minutos — permitindo às forças ucranianas ajustar ataques com elevada precisão.
Com base nessas informações, terão sido destruídos tanques, sistemas de lançamento de foguetes, equipas de drones e unidades de morteiros. As perdas totais são estimadas em cerca de 150 mortos e 50 feridos.
Mesmo quando o comando russo alterava rotas e posições, os novos movimentos continuavam a ser atingidos.
Suspeitas internas… mas sem identificação
Apesar de suspeitas de fuga de informação, as forças russas não conseguiram identificar a origem da infiltração.
Durante esse período, o militar continuou a operar drones, acumulando cerca de 1.200 horas de voo em condições difíceis, marcadas por temperaturas baixas e escassez de recursos.
Segundo o próprio, a unidade utilizava táticas de “assalto em massa”, frequentemente associadas a elevados níveis de baixas.
Fuga de 20 quilómetros e mudança de lado
Após várias tentativas, o soldado conseguiu abandonar a posição russa e percorreu cerca de 20 quilómetros até alcançar forças ucranianas.
Depois de ser resgatado, manifestou intenção de continuar a combater, desta vez ao lado da Ucrânia, integrando uma unidade de voluntários russos.
O caso surge numa altura em que relatos de deserções e fugas de informação continuam a marcar o conflito, evidenciando fragilidades internas nas forças no terreno.














