Os autores do ataque informático à EDP destruíram algumas senhas e divulgaram documentos internos da empresa, nomeadamente o plano de gestão de crises e ainda informações de funcionários, de acordo com o ‘Expresso’. Tudo porque o grupo não pagou o resgate pedido de 10 milhões de euros.
A EDP foi alvo de um ataque informático a 13 de Abril, no qual foram roubadas informações confidenciais, num total de 10 terabytes (TB) de dados, utilizados depois pelos hackers para chantagear a empresa. Se esta não pagasse um resgate de 1580 bitcoins, o equivalente a 10 milhões de euros, os piratas informáticos iriam divulgar a informação para a esfera pública.
A conta para o depósito está vazia o que significa que a empresa não cedeu às ameaças dos hackers, o que os levou a cumprir a promessa, divulgando as informações em questão na ‘dark web’, uma zona obscura da Internet onde se pode navegar de forma anónima e que é muitas vezes espaço privilegiado para transações ilícitas.
Para além disso os hackers escreveram uma mensagem no mesmo espaço que dizia «All your keys are destroyed», o que significa que todas as senhas de desencriptação das pastas pirateadas foram eliminadas, sem que a empresa consiga recuperá-las.
Existe um arquivo de empresas que foram alvo de ataques informáticos e não pagaram o resgate, na sua maioria norte-americanas. A EDP ainda não consta dessa página chamada de ‘Wall of fame’, contudo foram publicados alguns ficheiros novos da empresa num outro site, que se junta aos ‘printscreens’ já divulgados há um mês.
Desses ficheiros faz parte um plano de gestão de crises da EDP Renováveis dos Estados Unidos da América, criado em 2011 e cuja última versão (no documento publicado) data de novembro de 2017, que inclui os procedimentos a adoptar pela empresa em caso de furacões, contactos de emergência, níveis de crise, entre outras informações, segundo o ‘Expresso’.
Para além disso os piratas informáticos divulgaram ainda na sua rede uma folha de cálculo com a lista dos trabalhadores da EDP Renováveis nos Estados Unidos da América, os seus números de funcionário, nomes, e-mails, datas de nascimento, nível salarial, raça, estado civil, estatuto de fumador ou não fumador, entre outros dados.
Depois de contactada pelo ‘Expresso’ a EDP refere que «a recuperação dos equipamentos e sistemas que foram alvo de ataque foi assegurada pelas equipas da EDP, em colaboração com os seus parceiros habituais, estando esse trabalho de recuperação praticamente concluído».
«Confirmamos também que a EDP não recebeu e, por conseguinte, não pagou qualquer pedido de resgate. A investigação, com a qual a EDP tem colaborado desde o primeiro momento, está a ser conduzida pelas autoridades, que poderão prestar os esclarecimentos que entenderem necessários», refere fonte oficial da empresa citada pelo ‘Expresso’.
A empresa confirmou também ter um seguro para este tipo de situações, contudo não adiantou se o valor dos danos causados por este ataque foi efectivamente contabilizado. A Polícia Judiciária (PJ) continua a investigar a situação.














