Os investimentos em Portugal registaram um forte crescimento em julho, com os saldos de investimento a aumentarem 82% face ao mesmo mês do ano passado. Segundo dados da Revolut, a evolução foi impulsionada por um crescimento de 49% no número de utilizadores ativos e por um aumento de 22% no valor médio das carteiras.
A análise de Rolandas Juteikas, Head of Health and Trading da Revolut, revela uma alteração no perfil dos investidores portugueses, com os Fundos do Mercado Monetário (MMFs) a assumirem um papel central nas estratégias de investimento. Em julho, estes produtos representaram 50% das alocações realizadas em Portugal, percentagem que sobe para 57% entre os investidores com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos.
De acordo com a Revolut, esta tendência surge num contexto em que “os rendimentos das obrigações do Tesouro dos EUA e das obrigações europeias com notação AAA [atingem] máximos de vários anos — níveis não vistos há mais de uma década”. Perante este cenário, “as gerações mais jovens estão a adotar uma postura surpreendentemente defensiva”. Em vez de privilegiarem ativos mais especulativos, “estão a optar por retornos de baixo risco através de MMFs e obrigações soberanas, em detrimento de ações individuais dos EUA”.
A fintech sublinha ainda que “os investidores mais jovens preferem deter investimentos através de veículos diversificados em comparação com ações individuais, uma vez que privilegiam o acesso a mercados mais amplos”.
Já nos mercados acionistas, o comportamento dos investidores continuou a evidenciar resiliência, apesar da volatilidade de curto prazo. A nível global, “os utilizadores globais reforçaram a sua convicção na tecnologia de Inteligência Artificial aproveitando a queda da Micron Technology (apesar da sua descida de cerca de 30% face ao pico) e ancoraram o crescimento a longo prazo através do Vanguard S&P 500”.
No entanto, a realidade portuguesa apresenta diferenças. Segundo a análise, “embora as tendências globais favoreçam as mega-caps de IA e a dívida dos EUA, os consumidores portugueses continuam a preferir a preservação de capital através da liquidez rentável dos MMFs e da exposição a índices diversificados, em vez da volatilidade de ações individuais”.
Para Rolandas Juteikas, estes dados demonstram que “tanto a base de retalho global como a portuguesa estão a maturar rapidamente — equilibrando a proteção de capital de elevado rendimento com uma exposição estratégica ao mercado”.














