O tempo trabalha a favor de quem cria impacto

No passado, medir a produtividade de um colaborador parecia uma tarefa relativamente simples.

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Paula PeixotoDiretora de People and Culture da OlisipoAgosto 6, 2026 12:15

Por Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo

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No passado, medir a produtividade de um colaborador parecia uma tarefa relativamente simples. O número de horas trabalhadas, a quantidade de tarefas concluídas ou os níveis de atividade eram frequentemente utilizados como indicadores de desempenho. Durante anos, esta lógica pareceu responder às necessidades das organizações. Hoje, acredito que já não é suficiente.

Tudo começou com três fatores: a transformação do mercado de trabalho, a crescente digitalização e a utilização de ferramentas de inteligência artificial. Estas vieram alterar a forma como o trabalho é realizado e até percecionado. Há alguns anos, ninguém imaginava que tarefas que levavam horas pudessem ser concluídas em minutos. Neste contexto, faz cada vez menos sentido avaliar a produtividade só pelo tempo investido.

Por isso, proponho uma reflexão. Devemos deixar de olhar para quanto tempo demoramos a fazer uma tarefa e devemos antes perceber o impacto que esta gerou.

Na prática, todos reconhecemos esta realidade. Existem dias em que trabalhamos durante horas sem conseguir avançar com um tema e outros em que, num curto espaço de tempo, resolvemos um problema crítico, simplificamos um processo ou tomamos uma decisão que cria valor para toda a organização. Apesar disso, muitas empresas continuam a medir produtividade através de indicadores que privilegiam a presença, a atividade ou o volume de trabalho, quando aquilo que verdadeiramente influencia os resultados é a capacidade de gerar impacto.

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Pessoalmente, acredito que este é um desafio importante que as organizações enfrentam atualmente. Quando medimos só aquilo que é mais fácil de quantificar, corremos o risco de incentivar comportamentos que pouco contribuem para os objetivos do negócio. Se valorizamos apenas horas de trabalho, teremos mais horas de trabalho. Se valorizamos apenas volume de atividade, teremos mais atividade. Mas a verdade é que isso não significa que vamos ter melhores resultados.

Há fatores que continuam a ser mais difíceis de medir, mas que têm um impacto determinante na produtividade. A capacidade de resolver problemas, a colaboração entre equipas, a criatividade, a aprendizagem contínua ou a qualidade das decisões tomadas são exemplos claros. São também estes elementos que explicam porque duas equipas, com recursos semelhantes, conseguem alcançar resultados completamente diferentes, por exemplo.

Por isso, considero que a produtividade deve ser analisada de forma mais abrangente. Naturalmente, indicadores como horas trabalhadas, capacidade operacional ou níveis de ocupação continuam a ser importantes para gerir recursos e acompanhar a evolução da atividade. No entanto, devem ser complementados por métricas que permitam perceber se a organização está realmente a criar valor.

Isso significa avaliar a satisfação dos clientes, a qualidade do serviço prestado, a rapidez com que as equipas respondem a desafios, a capacidade de inovação, a redução de desperdícios e a melhoria contínua de processos. No fundo, perceber se os resultados alcançados aproximam a organização dos seus objetivos estratégicos.

Acredito também que esta mudança obriga a olhar para o desempenho de forma mais coletiva. Grande parte dos desafios atuais resulta da colaboração entre diferentes áreas, da partilha de conhecimento e da capacidade de alinhar prioridades, e não apenas do trabalho isolado de um único profissional.

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No futuro, as organizações têm de ser capazes de medir aquilo que realmente faz a diferença para serem mais competitivas. O tempo continuará a ser um recurso importante, claro. Mas vai deixar de ser o principal indicador de produtividade. À medida que o trabalho se torna mais complexo e baseado no conhecimento, será o impacto gerado, a qualidade das decisões e a capacidade de criar valor que distinguirão as equipas mais produtivas das restantes. E essa é, provavelmente, a mudança mais importante que as empresas podem começar já a preparar.

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