Pedro Nuno Santos marcou o seu regresso ao Parlamento com um discurso fortemente crítico em relação ao Governo, classificando o executivo como “medíocre, incompetente” e acusando-o de falhar na resposta aos principais problemas do país.
“Fui eleito para um mandato de deputado. Todos somos poucos para combater um governo medíocre, incompetente, não conseguiu resolver nenhum dos problemas que herdou como saúde ou habitação”, afirmou, sublinhando que a oposição exige mobilização total.
O antigo secretário-geral do Partido Socialista foi ainda mais longe nas críticas, apontando diretamente à atuação política do executivo: trata-se, disse, de “gente muito pouco séria que tem como única missão transferir rendimentos dos debaixo para os de cima”.
Na mesma intervenção, acusou o Governo de promover políticas que fragilizam os trabalhadores, referindo que “aprova legislação para fragilizar e causar precariedade”, numa crítica direta à orientação das medidas laborais e ao pacote que o Executivo liderado por Luís Montenegro tem estado a negociar com sindicatos e parceiros sociais nos últimos nove meses.
Perante este cenário, deixou claro o seu posicionamento político: “Todos somos poucos para fazer este combate. Cá estou para combater este governo medíocre e de gente muito pouco séria”.
Divergências com liderança do PS e rejeição do centrismo
Além do ataque ao executivo, Pedro Nuno Santos aproveitou o momento para marcar uma posição firme dentro do próprio partido, assumindo diferenças claras face ao atual líder, José Luís Carneiro.
“Como sabem que há muita coisa que me distancia de José Luís Carneiro. Não sou adepto de nenhuma estratégia centrista”, afirmou, rejeitando uma linha política moderada.
Apesar disso, fez questão de distinguir entre divergência política e respeito pessoal, sublinhando que tem “muito mais respeito por Carneiro do que pelos tacticistas que esperam atrás da porta à espera que o vento sopre a favor do PS e tempos mais fáceis”.
Num discurso marcado por críticas internas, o ex-líder socialista apontou o dedo a quem, na sua perspetiva, evita assumir posições firmes, aguardando contextos políticos mais favoráveis.
“Nem o país nem o PS precisam de tacticistas, precisamos é de gente com coragem”, declarou, defendendo uma atuação política mais assertiva e comprometida.
A mensagem surge como um apelo à mobilização dentro do partido e à construção de uma oposição mais combativa ao Governo.
Pedro Nuno Santos regressa agora ao Parlamento para retomar o mandato de deputado, que tinha suspendido em outubro de 2025 por “motivo ponderoso de natureza pessoal e profissional”.
Durante os últimos seis meses, foi substituído pela deputada Lia Ferreira.
O regresso acontece cerca de um ano após a sua demissão da liderança do PS, na sequência do resultado negativo nas eleições legislativas de maio de 2025, altura em que foi substituído por José Luís Carneiro.
Com este regresso, e com declarações tão contundentes, Pedro Nuno Santos volta a assumir um papel ativo no debate político nacional, posicionando-se como uma das vozes mais críticas do atual Governo e deixando claro que pretende influenciar o rumo do partido e da oposição nos próximos tempos.










