Parcerias são a chave da reinvenção dos negócios

«O sector da energia está a ser atravessado por algumas tendências que estão a provocar transformações que não tinham sido vistas na área.» A afirmação é de Gustavo Monteiro, administrador da EDP, que participou ontem numa mesa redonda da XVI Conferência Executive Digest subordinada ao tema “Reinventar o Negócio”. Mas aplica-se a muitos outros sectores conforme ficou claro nesse painel onde marcaram presença também Daniel Araújo, CEO da Attentive.Us, João Sousa, administrador da PT Empresas, Luís Figueiredo, CEO da Laranjinha, e Pedro Silva, administrador dos CTT.

Gustavo Monteiro lembrou que as pessoas no planeta mais do que duplicaram em 30 anos com tendência de concentração nas cidades. Por esse motivo «não chega termos um consumo mais moderado nas empresas e em casa». É que depois de há alguns anos se ter sentido um abrandamento nas emissões de carbono, nos últimos anos estas voltaram a crescer. Algo que coloca o desafio da descarbonização, que na perspectiva deste gestor «não pode vir apenas da produção e tem de vir do consumo».

E a verdade é que, neste contexto de transformações profundas, hoje o consumidor pode produzir a sua electricidade e, desta forma, tomar as duas decisões: de produção e de consumo. «Deixa de se precisar de tantas barragens e infra-estruturas. O solar é um dos grandes eixos da revolução energética que vamos ter, não só nas nossas casas, mas também nas empresas», assegura o responsável da EDP.

Também os CTT se depararam nos últimos anos com mudanças profundas no seu negócio. Basta olhar para os números: nos últimos 17 anos, o volume de cartas caiu 50% e há menos 43% de pensionistas a receber os vales nos CTT. Esta empresa é, cada vez mais, a recta final daquele que é o vendedor online. «Se corre mal a entrega, há um impacto directo na recompra», assegura Pedro Silva. Mas consciente das novas oportunidades a explorar, os CTT lançaram recentemente o marketplace Dott em parceria com a Sonae. «Nas novas oportunidades que surgem há que perceber se devemos ir sozinhos ou em parceria com quem já faz bem nessas áreas que não temos», sublinha, garantindo que o objectivo último é sempre dar boas experiências ao cliente, seja no online ou no offline.

A PT Empresas há muito que deixou de ser uma empresa de telecomunicações apenas. Hoje, 50% das suas receitas já não são telecomunicações, mas sim soluções tecnológicas. Nesse sentido também trabalha em parceria com os maiores players não só no mercado nacional, mas também internacional. Até porque os seus concorrentes são também eles internacionais. Nesse trabalho diário está hoje, ao mesmo tempo, a servir autarquias e grandes, pequenas e médias empresas. «É a PT Empresas que faz a monitorização do ar em Sintra», diz exemplificando a abrangência de serviços que têm.

O sector têxtil – representado no painel pela marca de vestuário infantil Laranjinha – é outro dos que tem assistido e participado na revolução do negócio, muitas vezes em resposta às demandas do consumidor (que quer aqui e agora) e outras antecipando-as. Na base têm estado os factores digitalização (a montante e a jusante) e a sustentabilidade (do negócio e dos produtos). «A verdade é que se associa a revolução à indústria automóvel, desvalorizando o sector têxtil por ser uma indústria com tradição. Mas este tem tido um enorme contributo com mão de obra e nos têxteis técnicos. Tem sido uma revolução extraordinária», assegura Luís Figueiredo.

O responsável da Laranjinha sublinha ainda que hoje as marcas têm de estar preparadas não apenas para ter bons produtos, mas acima de tudo para prestar bons serviços. «A marca tem de garantir a assistência. As pessoas querem imediatamente, uma compra fácil e que tenha a componente do pós-venda.» Aliás, hoje até se vai mais longe com a possibilidade de os consumidores poderem experimentar e decidir depois, de que é exemplo o Netflix, comenta Daniel Araújo.

 

Desafios para o futuro (que é já hoje)

O futuro, que na verdade é o presente para uma franja grande de consumidores aos quais as empresas têm de estar já a dar resposta, é muito tecnológico. Os CTT têm, por exemplo, o desafio de ter as suas rotas de entrega, que até aqui eram estáticas, transformadas em rotas dinâmicas para acompanhar serviços como o e-segue que permite, a qualquer hora, redirecionar a entrega de uma encomenda para outra morada. «O mercado de entregas de encomendas é extremamente concorrencial», salienta o responsável.

No caso da EDP, além do desafio da produção de energia pelos consumidores para consumo próprio, a eléctrica não tem dúvidas de que há desafios também na área da mobilidade eléctrica. «Deixamos de ter uma relação com uma casa, e passamos a ter relação com uma pessoa que, por sua vez, tem uma relação emocional com o seu carro», sublinha Gustavo Monteiro. Negócios que estão a crescer, mas que não podem ser desenvolvidos da mesma forma que o negócio tradicional. A EDP percebeu que, para esses novos negócios, precisa de encontrar os parceiros certos. «No caso do carregamento de veículos eléctricos, em casa, temos uma parceria com a Efacec.»

O caminho para acompanhar e estar à frente nas transformações nos negócios passa, na opinião de Daniel Araújo, por construir e manter redes de profissionais em funções semelhantes que ajudem a desbloquear contactos e que possam funcionar como apoios. Dessa forma é possível tirar dúvidas em certas áreas e partilhar ideias, sendo ao mesmo tempo um facilitador para estabelecer parcerias e, desta forma, serem descobertas novas oportunidades de negócio.

Texto de Maria João Lima

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