Papel higiénico: uma “fonte inesperada” de químicos eternos

As substâncias perfluoroalquiladas (PFAS), também conhecidas como ‘produtos químicos para sempre’, foram encontradas numa variedade de produtos que utilizamos no nosso dia-a-dia, desde panelas e alcatifas antiaderentes a vestuário e produtos de cuidados pessoais.

Beatriz Maio

As substâncias perfluoroalquiladas (PFAS), também conhecidas como ‘produtos químicos para sempre’, foram encontradas numa variedade de produtos que utilizamos no nosso dia-a-dia, desde panelas e alcatifas antiaderentes a vestuário e produtos de cuidados pessoais.

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Ainda que estejam praticamente por todo o lado, há um artigo em especial a preocupar os investigadores, dado que está a contribuir com poluentes para os sistemas de águas residuais: o papel higiénico.

Os PFAS estão relacionados com questões de saúde, tais como cancro, preocupações reprodutivas, e sistemas imunitários mais fracos. No ambiente, são predominantes no solo, aterros sanitários e águas residuais e não se decompõem, o que significa que se movimentam através do nosso solo e sistemas de água, contaminando a água potável e acumulando-se na vida selvagem.

Ao analisar os biossólidos, o estudante de pós-graduação da Universidade da Florida, Jake Thompson, notou concentrações particularmente elevadas de 6:2 diPAP, um tipo de PFAS, decidindo portanto recolher diferentes tipos de papel higiénico em todo o mundo. Ao estudar 21 tipos diferentes em toda a Europa, América do Norte, América do Sul e Central e África, encontrou PFAS em cada amostra recolhida.

“Foi bastante uniforme, com um grau natural de variabilidade, entre todas as amostras”, revelou o engenheiro ambiental da Universidade da Florida e autor do estudo publicado esta quinta-feira na revista Environmental Science & Technology Letters, Timothy Townsend.

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“Ver esta única assinatura química, que já vimos anteriormente nas lamas de depuração, também no papel higiénico significa certamente que esta é outra fonte em que precisamos de pensar quando se trata de limitar a quantidade de PFAS que entra no ambiente”, salientou o engenheiro ambiental.

A medida em que o papel higiénico é responsável por todos os PFAS nas águas residuais difere em todo o mundo. Na América do Norte, os investigadores estimam que este artigo contribuiu apenas com 3,7% do diPAP 6:2 encontrado nos esgotos, tendo as percentagens mais elevadas sido registadas na Suécia, 35%, e em França, 89%.

Contudo, os investigadores explicam que as suas descobertas não significam que o papel higiénico não seja uma fonte significativa de PFAS nos Estados Unidos da América (EUA), mas sim que é apenas uma das muitas fontes que contribuem para a poluição por PFAS.

Este estudo teve em conta a utilização média de papel higiénico por área, que pode variar consoante as pessoas, sendo os EUA e o Canadá onde existe uma maior utilização de papel higiénico per capita. De referir ainda que a pesquisa não analisou nem a segurança do uso de papel higiénico nem o impacto ambiental que acarreta.

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