O grupo de terroristas do Daesh garante, num comunicado emitido pela sua agência, que passou a controlar “fábricas , empresas e bancos”, na região de Palma, em Moçambique. O grupo fala na morte de pelo menos 55 pessoas e reivindica os ataques dos últimos dias.
O avanço dos jihadistas está a causar uma fuga massiva para a capital da província, Pemba, onde chegam todos os dias centenas de deslocados, que visam fugir da violência que tem invadido a região ultimamente.
Para além disso, as autoridades estimam ainda que mais de 200 deslocados estejam junto à fronteira com a Tanzânia, numa altura em que dezenas de pessoas não sabem dos seus familiares, também eles em fuga.
A Amnistia Internacional (AI) apelou hoje a uma “investigação oficial” que permita perceber o que se passou nos últimos três anos no norte de Moçambique, e que sejam “responsabilizados” os autores dos abusos dos direitos humanos aí cometidos.
“Até agora, todos os atores [forças armadas moçambicanas, grupos insurgentes e empresas de segurança ou paramilitares privadas] têm agido com total impunidade, mesmo antes [dos últimos episódios na vila de Palma, no extremo norte da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, no passado dia 24]”, afirmou Pedro Neto, diretor executivo da AI em Portugal, em declarações à Lusa.
“Nós estávamos no terreno sofremos ameaças, os jornalistas foram presos em Cabo Delgado por causa de denunciarem a situação, o próprio bispo, Luís Fernando Lisboa, que é o bispo de Pemba teve de sair há alguns meses de Pemba, não por sua vontade, mas porque foi ameaçado de morte inúmeras vezes, e, portanto, houve uma tentativa de encobrimento de toda esta situação”, descreveu o ativista.
Ajuda portuguesa chega na primeira quinzena de abril
Os primeiros elementos do contingente português que vão ajudar na formação das forças militares moçambicanas partirão na primeira quinzena de abril, confirmou à Lusa o Ministério da Defesa.
O envio deste contingente de 60 militares portugueses, das forças especiais, é enquadrado pelo novo acordo-quadro de cooperação bilateral que está a ser ultimado pelos ministérios português e moçambicano, disse fonte da tutela.
“O que vamos destacar são formadores para formar fuzileiros e comandos. São militares que têm essas valências, forças especiais”, disse na altura Gomes Cravinho, frisando que decorre o planeamento com as autoridades moçambicanas.














