O lucro líquido da Warner Bros Discovery (WBD) caiu 7% no primeiro semestre, para 1.553 milhões de dólares (1.346 milhões de euros), enquanto continua pendente a fusão com a Paramount Skydance, foi hoje anunciado.
Avaliada em cerca de 110.000 milhões de dólares (95.278 milhões de euros), a compra da Warner Bros Discovery pela Paramount Skydance recebeu hoje “luz verde” no Reino Unido, mas a operação continua bloqueada nos Estados Unidos devido a um processo antimonopólio.
Num comunicado divulgado hoje, a WBD reportou receitas de 17.180 milhões de dólares (14.893 milhões de euros) entre janeiro e junho, menos 8% do que no período homólogo, embora o crescimento do seu negócio de ‘streaming’ tenha compensado parcialmente a fraqueza dos estúdios cinematográficos e da publicidade.
Apenas no segundo trimestre, a WBD registou um lucro líquido de 149 milhões de dólares (129,2 milhões de euros), contra os 1.580 milhões de dólares (1.370 milhões de euros) do mesmo período de 2025.
A empresa atribuiu esta descida a ajustamentos contabilísticos relativos a ativos intangíveis relacionados com a operação da Paramount e a custos de reestruturação.
As receitas trimestrais diminuíram 11%, para 8.720 milhões de dólares (7.560 milhões de euros), ficando abaixo dos 9.290 milhões de dólares (8.054 milhões de euros) esperados pelo mercado, sobretudo devido ao fraco desempenho da sua divisão de estúdios e à queda da publicidade.
O volume de negócios da divisão de estúdios caiu 39% no segundo trimestre, depois de estreias como “Mortal Kombat II” e “Supergirl” não terem conseguido repetir o sucesso comercial do ano passado de “A Minecraft Movie” e “Sinners”. A empresa disse confiar numa recuperação na segunda metade do exercício, com a estreia de filmes como “Digger” e “Dune: Part Three”.
A perda dos direitos de transmissão da NBA também teve um impacto negativo, provocando uma descida de 22% nas receitas publicitárias e uma queda de 17% na divisão de canais de televisão.
No entanto, a ausência dos custos associados a esses direitos desportivos permitiu reduzir em 23% os gastos operacionais dessa unidade.
No período, o negócio de ‘streaming’ voltou a ser o principal motor de crescimento, com as respetivas receitas a aumentarem 10% no trimestre, para mais de 3.000 milhões de dólares (2.601 milhões de euros), impulsionadas pela expansão internacional da HBO Max e pelo sucesso de séries como “The Pitt”, “Euphoria” e “House of the Dragon”.
A empresa informou ainda que a publicidade na sua plataforma de ‘streaming’ aumentou 9%, impulsionada pelo aumento do número de assinantes dos planos com anúncios, embora a ausência de jogos da NBA tenha reduzido em 16 pontos percentuais o crescimento desse segmento.
Na sua carta aos acionistas, o diretor executivo da Warner, David Zaslav, assegurou que a empresa continua focada em “expandir a HBO Max, reforçar o seu catálogo de conteúdos e melhorar a rentabilidade do negócio de ‘streaming'”, que considera um dos principais pontos fortes do grupo.
Estes resultados são divulgados enquanto prossegue o processo de aquisição da Warner Bros Discovery pela Paramount. Hoje, a Autoridade da Concorrência e dos Mercados (CMA) do Reino Unido concluiu que a operação não levanta problemas em termos de concorrência e deu a sua aprovação.
Paralelamente, a ministra da Cultura, dos Meios de Comunicação Social e do Desporto do Reino Unido, Lisa Nandy, decidiu “não emitir uma Notificação de Intervenção de Interesse Público”, uma vez que as garantias e os compromissos juridicamente vinculativos adicionais que obteve até ao momento da Paramount “proporcionam uma série de proteções que ajudarão a salvaguardar a disponibilidade contínua de uma ampla gama de serviços de radiodifusão e sob demanda no Reino Unido”, bem como a continuidade das suas identidades editoriais distintivas.
No entanto, a transação continua suspensa nos Estados Unidos, depois de a Califórnia e outros 11 estados terem apresentado uma ação judicial para a bloquear por motivos antimonopólio. O julgamento está previsto para março de 2027.
O diretor executivo da Paramount, David Ellison, reiterou que, caso a operação seja concretizada, a sua intenção é integrar a HBO Max e a Paramount+ numa única plataforma de ‘streaming’, que contaria com cerca de 200 milhões de assinantes.














